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Colunista convidada: Denise Eler

Sobre escassez na era da abundância: você tem fome de que?

 

*Por Denise Eler

 

Responda rápido: qual é o recurso mais escasso da atualidade?

A resposta mais recorrente: o tempo.

Resposta er…rada.

 

Denise Eler é uma das principais referências do país em Sensemaking e Design Thinking. Foto: Rafael Motta.

O mesmo tempo que existia na Idade Média existe agora. As mesmas 24 horas que a Netflix e a Magazine Luíza tem, sua empresa tem. Então o que faz com que o tempo de algumas empresas (e algumas pessoas) pareça render mais?

Resposta recorrente: uma boa gestão do tempo.

Bem, tenho trabalhado há 20 anos com organizações de setores muito variados, de multinacionais a startups, cooperativas e ONGs, governo e academia, e posso afirmar que cursos de “gestão do tempo” estão na top list dos RHs. Basta você “dar um Google” em “gestão do tempo” para encontrar listas para se tornar um exímio “gestor do tempo”: comece cedo, não procrastine, agende as tarefas, defina deadlines, priorize, delegue as tarefas, foque, aprenda a dizer não e… evite o stress (sério?).

Não há nada de errado em seguir estes conselhos, mas o fato é que você pode ter feito tudo isso e sua entrega não fazer a menor diferença. Sim, no fim das contas, a única coisa que realmente importa: que valor sua entrega gerou para o negócio? Não importa se você e sua equipe entregaram algo em tempo recorde (e sem stress). Importam 3 coisas:

1. Resolver o problema certo
2. Resolver, certo, o problema
3. Entregar valor continuamente

Para cada uma destas premissas, podemos derivar uma pergunta:

Resolver o problema certo: ? Qual é (mesmo) o “problema”?
Resolver, certo, o problema: Qual é a melhor forma de “resolver” o “problema”?
Entregar valor continuamente: O que é valor, neste caso? (Pressupõe saber “quem” deve dar valor; já que valor não está nas coisas, mas é uma percepção sobre elas).

Ironicamente, responder a estas três perguntas “consome” tempo. Refletir consome tempo, mas reduz os riscos de entregas sem valor. E entregas sem valor minam a autoestima das pessoas. Afinal, corremos tanto para que?

Este é justamente o cenário que tenho encontrado e que justifica as estatísticas que dizem que apenas 13% dos funcionários estão engajados em seus trabalhos. Não é irônico? Sabemos que em breve, provavelmente, mais cedo do que gostaríamos, todo trabalho repetitivo será executado por máquinas. E, mesmo assim, quase 90% dos humanos entrevistados está trabalhando no modo automático. Está apenas “batendo ponto.” Liderança e liderados.

Sem tempo (e disposição) para pensar, não existe nem inovação, porque a mente tensa entrega respostas conhecidas. Parece que quanto mais corremos contra o tempo, mais o tempo nos escapa, porque empresas que não inovam têm vida curta. E assim, confunde-se “pressa” com “agilidade”, “responsividade” com “evolução” e “reatividade” com “reflexão”.

Tudo isso me faz pensar que a grande escassez nas organizações não é o tempo, mas o sen.ti.do. Não é por acaso que, de repente, ter um “propósito” tornou-se imperativo nos negócios. O propósito de uma empresa serve para orientar os esforços conjuntos dos colaboradores, gerar motivação e senso de pertencimento. Mas ter um propósito não basta.

É na rotina que tenho percebido, liderança e liderados, imersos em atividades destituídas de sentido: reuniões que poderiam ter sido um e-mail, lives que poderiam ter sido um tweet, apresentações que não habilitam a tomada de decisões, relatórios que não expandem a compreensão sobre algo, gráficos que demandam tempo demais para serem compreendidos e projetos-zumbis que deixaram de ter relevância para o negócio, mas insistem em consumir cérebros.

Como podemos mudar isso? Precisamos questionar o real sentido por trás de cada uma destas atividades. Parar de sermos coletores/produtores de informação para nos tornarmos habilitadores de inteligência. Nos próximos 3 artigos, convido você a conhecer técnicas de Sensemaking – o processo de criação de sentido para a tomada de decisões.

 

*Uma das principais referências do país em Sensemaking e Design Thinking, Denise Eler é consultora, palestrante e professora da Fundação Dom Cabral e PUC Minas.

 

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