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Fomo: o inquietante medo de ficar por fora

Um sujeito que checa as redes sociais em plena exibição de um filme na sala de  cinema, aquele que, no meio de uma reunião importante, não para de conferir as mensagens no whatsapp ou aquelas figuras que não conseguem delegar tarefa e querem participar de todas as funções…  Já se viu em situações como essa? Se a resposta for afirmativa, é melhor ficar atento, pois provavelmente você está entre os 70% da população mundial que sofre de um comportamento típico dos novos tempos: a síndrome Fomo, palavra formada pelas iniciais de fear of missing out, ou “medo de estar ausente”.

Com o objetivo de chamar atenção para o problema e mostrar como ele pode ser prejudicial para a carreira e a saúde, a revista Você S/A publicou uma ampla reportagem sobre o assunto na edição de março de 2017. Sob o título “Tudo ao mesmo tempo agora”, o texto assinado pela jornalista Luciana Lima, contou com o depoimento de diversos psicólogos e especialistas em carreira, como o economista Roberto Tesch, a professora na FGV-Eaesp Beatriz Maria Braga, o diretor da Vai Voando Luiz Andreaza e a presidente da Dasein Executive Search, Adriana Prates.

De acordo com a reportagem, o termo, que foi popularizado em 2011 em um artigo do The New York Time, significa, segundo o Dicionário Oxford, “uma ansiedade gerada pela possibilidade de um evento emocionante ou interessante estar acontecendo em outros lugares, muitas vezes despertadas por mensagens vistas nas redes sociais”.

Em termos práticos, como indica a Você S/A , Fomo é a necessidade que muitas pessoas sentem de estar presente o tempo todo, de controlar tudo e, sobretudo, da preocupação de que outras pessoas possam estar fazendo algo melhor. “Fomo confunde dois sentimentos: experiências perdidas (medo de perder) e pertencimento (medo de ser deixado de fora). Desejar o que vemos e desejar ser visto tem se fundido. A inveja solitária e a exclusão social são facilitadas por tê-las onipresentes”, explica Joseph Reagle, professor na Northeastern University, em Boston, e autor do artigo ‘Fomo and Conspicuous Sociality (2015)”.

Implicações da Fomo no ambiente de trabalho

Ainda de acordo com a reportagem da Você S/A, a dificuldade de se desligar e de dizer “não” para alguns projetos e de abrir mão de estar em todos os lugares pode gerar sérios problemas para os profissionais. Um dos mais graves é a falta de foco. Para o psicólogo e professor na Trevisan Escola de Negócios, João Paulo Bittencourt, ouvido pela revista, ficar o tempo todo preocupado com o que os outros estão fazendo distrai a pessoa de coisas mais importantes, como o próprio desempenho.

Segundo a presidente da Dasein, Adriana Prates, em situações como essa, normalmente a pessoa também começa a cometer erros que até então não cometia. “A Fomo é responsável ainda por dificultar a criação de vínculos saudáveis com os colegas, porque a conexão com o outro no ambiente de trabalho, face a face, passa a ter menos valor do que se apresentar a uma audiência que tem inúmeras pessoas para ‘segui-lo’, por exemplo”.

Para ela outro problema gerado pelo fenômeno é o perfil extremamente controlador. “Pessoas que sofrem desse comportamento podem se tornar um chefe excessivamente controlador, que faz micro-gestão, que não confia e nem desenvolve a equipe. Não confia porque não a capacita. E não a capacita porque tem medo de efetivamente perder a relevância naquele sistema”, revela.

Este foi o caso do diretor da Vai Voando, Luiz Andreaza. Em 2008, quando assumiu seu primeiro cargo de liderança, a insegurança, o medo de fracassar e a dificuldade em delegar, fez com que ele se envolvesse em todas as atividades, inclusive nas mais operacionais.  “No desespero de tudo dar errado, você começa a participar de todos os processos e acaba acumulando trabalho de outras pessoas. Hoje tento encontrar um equilíbrio e entender que não tenho o controle de tudo, tanto que reclamo quando me copiam em muitos e-mails. Quero saber o que é apenas essencial e faz parte da minha responsabilidade. Na época em que me tornei gerente não estava preparado para ser gestor. Tinha muito conhecimento técnico, mas pouco de gestão de pessoas”.

Realmente, profissionais que são promovidos sem o devido treinamento para gerir tendem a querer controlar tudo por medo de errar. “Se eu não me sinto capaz, vou ficar num estresse violento. Para controlar essa insegurança é preciso buscar dados de realidade e compreender melhor suas falas e potencialidades e tirar essa sensação de incapacidade”, afirma a psicóloga Dora Goés. É preciso estar atento ao fato, pois um líder controlador e inseguro, além de se tornar improdutivo, pode prejudicar toda a equipe e, consequentemente, os bons resultados da empresa.

Querer estar por dentro de tudo pode prejudicar a sua saúde

Além do impacto na carreira, a Fomo pode provocar consequências graves para a saúde. “Quem se envolve com atividades demais no trabalho pode perder noites de sono e até desencadear quadros de burnout (distúrbio depressivo provocado por esgotamento físico e mental)”, diz Adriana Prates. “Todos temos limitações, é impossível estar o tempo todo em todos os lugares”.

Associada ao uso não moderado da internet e mídias sociais, a Fomo potencializou e amplificou os prejuízos de toda natureza para aqueles que se excedem nesse tipo de comportamento. Na opinião da presidente da Dasein, a base de sustentação do problema é um grau elevado de ansiedade. “Nesse caso é preciso muito empenho e força de vontade para combatê-lo”.

Ela reforça que é necessário ter uma perspectiva positiva sobre a vida. “A pessoa precisará substituir assuntos negativos como doenças, eventos trágicos e o medo de perder o emprego por outros relacionados ao bem-estar. Pensamentos positivos criam emoções sólidas que devolvem a autoconfiança ao indivíduo. A autoconfiança surgindo e sendo ‘alimentada’ diariamente faz com que o combate à Fomo seja efetivo. Essa pessoa sabe que não precisa estar em todos os momentos o tempo todo. Sabe que mostrar um perfil idealizado ou ostentar viagens e outras coisas nas redes sociais não contribuem para que o mundo seja melhor, portanto não há sentido em continuar nessa linha”.

Para minimizar os efeitos da Fomo ou mesmo exterminá-la, Adriana Prates vai além e sublinha: “o passo mais importante é a pessoa reconhecer que precisa de ajuda como um acompanhamento médico, terapêutico e até mesmo multidisciplinar a fim de que a mudança seja consistente e duradoura”.

Fonte: Com informações da revista Você S/A – Edição Março de 2017.

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