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Colunista Convidada: Denise Eler | Série Sensemaking 2

SENSEBREAKING: OVOS INTEIROS NÃO FAZEM OMELETES

*Por Denise Eler

Denise Eler é uma das principais referências do país em Sensemaking e Design Thinking. Foto: Rafael Motta.

Independente do que está escrito no seu crachá, no seu diploma ou no seu perfil no Linkedin, você é um vendedor. Desculpe falar isso de cara. Não é algo que eu espero que você aceite tão rápido e tenho limite de caracteres para desenvolver este assunto.

E até por tratar-se de uma questão irrefutável, vou direto ao que te interessa: você tem sido um vendedor fraco, mediano ou de alta performance? Em qualquer processo de problem-solving, você precisa ser um vendedor de ALTA PERFORMANCE porque o NOVO (aquela resposta criativa para problemas recorrentes ou inéditos) não se vende sozinho.

No primeiro artigo desta série, falamos da falta de sentido nas atividades diárias das organizações e que isto ocorre quando deixamos de enxergar a conexão entre o que fazemos e o valor gerado para a empresa e para a sociedade. Muitas vezes, o valor nem mesmo existe porque estamos nos esforçando para resolver certo o problema errado.

Hoje vou compartilhar a primeira parte de um processo de Problem Solving que desenvolvi em 20 anos de consultoria e docência –  chama-se Fillingaps® e tem apenas 3 etapas. Criei este método porque cansei de presenciar excelentes respostas não gerarem resultado por falta de entendimentos prévios (Etapa1) e estratégias de tradução (Etapa3).

MÉTODO FILLINGAPS®

Etapa 1: SENSEBREAKING – Quebre conexões inúteis

Etapa 2: SENSEMAKING – Crie novas conexões  

Etapa 3: SENSEGIVING – Traduza a nova proposta

O que este método tem de novo? As três etapas são orientadas pela criação de sentido.

Note que o método é sustentado por duas premissas:

Não adianta encontrar a resposta para o problema se

  1. O problema não incomoda as partes supostamente interessadas (stakeholders)
  2. A resposta do problema não fizer sentido para os stakeholders

Antes de reunir um grupo para gerar ideias de solução, é preciso ter certeza de que o problema existe e é compreendido da mesma forma por diferentes atores. Normalmente, meus clientes são ótimos para definir os sintomas gerados pelo problema e são bons em descrever como seria a realidade se o problema não existisse. Estas respostas não me ajudam muito a solucionar o problema, mas me dão informações preciosas sobre como estas pessoas pensam e como suas redes mentais estão construídas. Desconstruir estas redes é o foco do Sensebreaking.

Como é o processo de Sensebreaking

Aprender é criar conexões novas. Fazemos isso associando recursos da imaginação e da memória. A neurociência explica o papel da emoção na fixação de memórias de longo prazo. Se um evento provoca uma emoção mais forte, o cérebro cria uma espécie de marcação para o ocorrido visando poupar energia de processamento da próxima vez que o evento ocorrer. Assim, da segunda vez, a reflexão é substituída pela reação. Este processo é importante para nossa sobrevivência, porém os atalhos não consideram as consequências a longo prazo. Em resumo, agir por impulso pode nos prejudicar no futuro.

À medida que relegamos as atividades repetitivas às máquinas, passamos a precisar cada vez mais que a empresa se comporte como um organismo inteligente – um ser que aprende. Quantas vezes você já ouviu que precisa “aprender a desaprender”?

Desaprender é desconectar coisas. Sem este processo, o novo não tem condições de acontecer.

Se uma empresa necessita resolver um problema é porque existe uma percepção de que algo poderia ser diferente. A busca pela resposta nova é legítima. Porém, sem um processo de desconstrução de percepções, conceitos e crenças qualquer proposta nova enfrentará muitos obstáculos para acontecer. Posso afirmar, por observação, que a inovação não acontece com mais frequência por falta de criatividade, mas por excesso de vaidade (apego ao passado).

Uma sessão de Sensebreaking desafia as partes interessadas a questionarem o nível de compreensão do problema e possíveis relações equivocadas de causa-efeito. É comum o grupo ter uma ideia de solução prematura e sem fundamento lógico. Algumas perguntas que catalisam o processo reflexivo:

Por que tal coisa é um problema?  É um problema novo ou recorrente? Se o problema não existisse, como seria? O que esperamos que aconteça após a solução do problema? A solução pode gerar novos problemas?  Quais são nossas incertezas a cerca do problema?  Quais são as restrições para a geração das ideias? O que é valor para cada stakeholder? Que premissas devem guiar a ideação? Quais serão as evidências de sucesso?

A entrega do Sensebreaking é uma descrição detalhada do problema e, o mais importante, um alinhamento de expectativas para a etapa seguinte – a criação de respostas. John Dewey, disse que um problema bem definido, é um problema parcialmente resolvido. Verdade. Na próxima edição, vamos conhecer a etapa de SENSEMAKING – criação do novo, e SENSEGIVING – como vender o novo.

Até la.

*Uma das principais referências do país em Sensemaking e Design Thinking, Denise Eler é consultora, palestrante e professora.

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