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Inspire-se com Denise Eler

“Quanto mais repertório uma pessoa tem, maiores as chances de criação de respostas novas”

Ela já mergulhou de cabeça no universo carcerário, vivenciou por anos a realidade da indústria automotiva, se dedicou à transformação digital e, mais recentemente, está imersa nos desafios da mobilidade urbana. Denise Eler é a metamorfose em pessoa. Ou não. Na verdade, é daquelas que incitam mais questionamentos que afirmações. Neste Inspire-se, ela, que se auto intitula uma outsider profissional, compartilha referências fundamentais da sua visão (nada menos que provocadora) de mundo.

Em meio a tantas incertezas, algo é fato: temos uma nova geração de clientes. Conectado, com amplo acesso à informação e senso crítico cada vez mais apurado. Atentas a esse novo perfil de cliente, as empresas mais inovadoras buscam conhecê-lo a fundo, aprendem com ele para impactá-lo com experiências cada vez mais memoráveis. Por outro lado, muitas organizações tradicionalistas ainda não colocaram o cliente no foco. Dá tempo de correr atrás do prejuízo? Nesse caso, qual deve ser a postura das lideranças?

O processo de perda de clientes pode ser mais ou menos longo, dependendo do segmento e do tipo de clientes. Como o Brasil não é conhecido por sua excelência em serviços, há grandes oportunidades mesmo para os que acordaram tarde para a nova realidade de deslocamento de poder para o cliente. São dois pontos de partida, quase simultâneos: reduzir ao máximo os atritos na experiência do cliente e criar eventos de superação de expectativas. Ambas dependem de Design Thinking.

Em 2009, quando praticamente ninguém conhecia Design Thinking, você já defendia essa abordagem como meio de transformar, inovar e resolver problemas. Ou seja, você antecipou uma tendência e hoje diversas organizações e profissionais se beneficiam do DT. Pensando na grande potência que é o design (para além do DT), você enxerga vantagens ainda não exploradas nessa área? Ou áreas que fazem conexão direta com o design e que ainda não chegaram aqui no Brasil?

O segmento jurídico brasileiro só está descobrindo o Design Thinking agora, não é incrível? Surgiu o termo “Legal Design Thinking”. Também tenho recebido convites para trabalhar com manufaturas. A abordagem foi largamente adotada por realmente servir a qualquer desafio de inovação. Como disse Tim Brown: “Design é poderoso demais para ficar restrito aos designers”. No caso do Direito, a pressão por inovação veio da ameaça de perda de relevância dos escritórios face à capacidade da inteligência artificial lidar com o trabalho repetitivo. Ou seja, na era do algoritmo, faz diferença quem faz sentido. E o sentido agora é fazer o que a máquina não faz bem (ainda): criar perguntas e criar relacionamentos.

“Eu sou Denise Eler: uma outsider profissional”. Essa é a informação de destaque na bio do seu site. Qual o benefício de ser um outsider para as empresas, sobretudo em um mercado tão dinâmico?

Esta foi a forma mais precisa que encontrei para definir meu modelo de trabalho. Coopero com empresas de diversos segmentos em momentos estratégicos para o negócio, normalmente ligado à necessidade de transformação cultural. Optei por trabalhar assim porque percebi que em um mundo cada vez mais complexo é valor perceber sinais de mudança e padrões de comportamentos, além de criar (e perceber) conexões entre fenômenos aparentemente distantes. Quando uma empresa me contrata nesta modalidade, seu time sabe que vestirei a camisa da empresa por um tempo determinado (mas prorrogável), e trarei um olhar novo sobre diversos assuntos. Um olhar não viciado no negócio. A segunda vantagem é que não tenho um cargo para defender. Meu único objetivo é gerar o maior valor possível para o negócio e catalisar a transformação desejada. O terceiro ganho é que integro a empresa à minha rede que é bem diversa; academia, startups, talentos em áreas emergentes e clientes de outros segmentos. Adoro fazer estas pontes porque o maior valor é criado a partir destas interações.

“Criatividade é um fenômeno emergente da interação entre conceitos antes desconexos.”

Ao percorrer seu site e redes sociais é possível ter uma ideia sobre o valor que você dá à diversidade, à conexão entre diferentes áreas de conhecimento, seja na cultura, no mundo da arte ou mesmo no universo carcerário. Conte pra gente o que essas diferentes experiências agregaram à sua vida e qual a importância de transitar entre várias áreas, conectando conhecimentos?

Criatividade é um fenômeno emergente da interação entre conceitos antes desconexos. Quanto mais repertório uma pessoa tem, maiores as chances de criação de respostas novas. Quando me exponho a diferentes experiências, vou criando uma espécie de reserva cognitiva flexível. Especialmente nos casos em que vou além da auto exposição e passo para a imersão naquela realidade. Foram sete anos imersas na realidade da indústria automotiva; três anos e meio imersa no ecossistema penitenciário brasileiro; três anos em um negócio de transformação digital e, há um ano, estou imersa na realidade da mobilidade urbana. Estes trabalhos de longa duração acontecem em paralelo com as aulas que ministro em MBAs, as palestras e os workshops. O que me permite transitar por áreas tão distantes é justamente a competência em Design Thinking. O Design é transdisciplinar, orientado a resultados e centrado no humano. E a parte do processo de design que eu mais domino é justamente o mais valorizado com o advento das tecnologias digitais: SENSEMAKING.

Essencialmente, Sensemaking é o processo de criar significados a partir de sinais não óbvios. Para a liderança, antecede e subsidia a visão. É necessário conectar os pontos (entender o não óbvio) para agir estrategicamente.

“Na era do algoritmo, faz diferença quem faz sentido. E o sentido agora é fazer o que a máquina não faz bem (ainda): criar perguntas e criar relacionamentos.”

Ainda falando de cultura e arte tem alguma obra (filme, livro, espetáculo) ou o trabalho de um artista específico que contribuiu para sua visão de mundo? Se sim conte qual a obra/artista e o motivo.

Fuerza Bruta: O espetáculo argentino resume bem as coisas que me excitam a mente. Já vi duas vezes e verei três.

Marcel Duchamp: Além de ser o autor de Nu Descendo a Escada (meu quadro preferido, rs), nos fez ver a arte de uma forma completamente nova e libertadora. Duchamp foi um sensemaker.

Vinicius de Moraes: Ele criou uma obra perfeita com o mínimo de palavras, o soneto POÉTICA I. Gosto tanto que tatuei a última frase no braço.

E Steve Jobs por ter sido obsessivo ao submeter a engenharia ao êxtase estético e à usabilidade.

Você é inspiração para muitas pessoas. E quem é referência para a construção de sua trajetória ou te inspira atualmente?

Que bom ouvir isso. Atualmente estou focada no estudo dos sistemas complexos. Leio Humberto Mariotti e Cris Zauhi (que são meus mentores intelectuais), Nassim Taleb, Yuval Harari e Luiz Felipe Pondé. Estes últimos são ateus e eu sou cristã. Não concordo com eles em muitos aspectos mas amo a clareza de seus raciocínios. Neles, busco inteligência. Mas sabedoria, encontro nas Escrituras Sagradas.

Compartilhe com a gente um aprendizado ou uma frase sempre presente em sua memória.

Quando eu tinha 5 anos, perguntei ao meu pai o que a palavra autoria significava. Ele disse: “Autoria é quando você faz algo da sua cabeça. Sem imitar ninguém.”. Naquele dia eu nasci. Com lindas e enormes asas.

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