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Cabral, o líder humanista que chegou ao Brasil

Esta é uma terra de paisagem, de sol, de fruta e de vinhos – mas é também uma terra de gentes. Algumas deixaram o seu nome na história coletiva do povo português. É o caso de Pedro Álvares Cabral que, nascido em Belmonte, galgou os mares e oficializou para Portugal as terras de Vera Cruz, hoje Brasil. O seu nome é um elo entre os dois povos, entre as duas culturas.

Mas quem era este homem? Terá nascido em 1467, em Belmonte. Ainda muito jovem, rumou com o seu irmão para Lisboa, para se instruir na corte junto dos grandes mestres da altura.  Foi por isso um homem do renascimento, com educação e valores humanistas. Como qualquer nobre, para além da álgebra, da filosofia, da religião, da cosmografia, estudou também as artes da guerra, o manejo das armas e do cavalo, a estratégia militar. Seguiu para o norte da África onde se tornou cavaleiro do rei sob a insígnia da Ordem Militar da Cruz de Cristo. Aqui combateu durante oito anos. Era um homem forte e alto para a época, pelo que destacou em combate e na liderança de homens.

Foi por este perfil que D. Manuel I o escolheu para capitão-mor da maior e mais lustrosa armada que iria sair de Portugal rumo às Índias – substituindo o grande herói daquele tempo, Vasco da Gama.

Podemos deduzir assim, que Pedro Álvares Cabral não era um grande entendido do mar. Era, antes de tudo, o representante do rei. Outros saberiam mais que ele das coisas do mar, como por exemplo, Bartolomeu Dias, que ia sob o seu comando. Mais que um navegante, era um líder, um comandante de homens, um respeitado capitão militar de toda a armada.

Rumou às Índias onde deu mostras de diplomacia, inteligência e pundonor. Onde mostrou também o seu lado militar ao bombardear Calecut depois de uma traição dos locais.

Mas o seu lugar na história foi alcançado ao pisar, por vez primeira, as terras de um mundo novo que hoje conhecemos por Brasil. Terá ido tomar aquelas terras em nome d’el-rei? É que, curiosamente, não deixou lá qualquer padrão de pedra com as armas de D. Manuel.

Deixo umas pistas:

Era um cavaleiro da Ordem da Cruz de Cristo. Deixou nas novas terras uma enorme Cruz de Cristo sob a qual mandou rezar missa. Chamou aquelas terras “Vera Cruz” – a verdadeira cruz de Cristo. E levou nas velas a Cruz de Cristo desenhada a vermelho-sangue. Consegui despertar a vossa curiosidade sobre este tema?

Homem íntegro e com primores de honra, não aceitou mais tarde que o rei lhe dividisse o comando da armada com um tio de Vasco da Gama – e por influência deste. Como não concordou em levar a guerra até às Índias, pelo que voltou as costas à coroa e se afastou de todas as mordomias reais.

A sua relação com os povos de Vera Cruz

Gostaria de sublinhar ainda o lado humanista deste homem, que aportou em quatro continentes. Quando chegou a terras de Vera Cruz – Brasil, recebeu dois indígenas a bordo da sua nau. Ao contrário de Colombo, que disse ter encontrado “animais sem inteligência”, Pedro Álvares Cabral recebeu os nativos com honras de estado. Vestiu o seu melhor fato de comandante, colocou as suas insígnias, estendeu um carpete para receber os dois homens, deu-lhes comida e bebida. E tendo eles adormecido todos nus no convés do navio, mandou cobri-los com um manto e que lhes colocassem uma almofada na cabeça.

Permitiu, inclusivamente, que assistissem a uma missa cristã. O que não deixa de ser curioso, imaginar uma missa em latim, com todo o seu ritual simbólico, tendo como assistentes indígenas totalmente nus. Só revela uma personalidade de tolerância por parte de Cabral que, também não permitiu que capturassem ninguém para que fossem apresentados em Lisboa, na corte do reino, como troféus de caça, como aconteceu em ocasiões similares. Pelo contrário, durante os dez dias que permaneceu naquelas terras não se levantou uma arma, um dedo sequer contra aquele povo. Talvez esta postura pacifista tenha sido o prenúncio de uma relação fraternal e respeitosa que perdura até hoje.

João Morgado –  é poeta e romancista português. Atualmente cursa doutorado na Universidade da Beira Interior e atua como consultor de comunicação em meios empresariais e políticos.

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