Propósito e motivação: entenda os benefícios de encontrar sentido no que você faz

Em meio a uma das piores crises políticas e econômicas do Brasil, você talvez se considere uma pessoa de sorte simplesmente por ter um emprego. Se analisarmos pelo lado imediatista, o raciocínio não é descabido. Entretanto, para encontrar satisfação, sentido e motivação na vida profissional e pessoal (se é que existe essa separação) é preciso pensar a longo prazo, ir além, se desafiar e entender qual é o seu propósito.

De acordo com a CEO da Career Center, Karin Parodi, em artigo para a Harvard Business Review, ao longo de sua vasta carreira como coach de executivos, ela afirma que praticamente 90% dos profissionais do alto escalão abandonaram bons cargos (e excelentes salários) não por uma performance ruim. A grande maioria, a especialista afirma, deixou a empresa por motivos intangíveis, ligados à falta de aderência à cultura da companhia como, por exemplo, a inexistência de alinhamento entre propósitos pessoais e da organização.

O significado de propósito no trabalho é pessoal e pode variar bastante em cada área de atuação, mas pesquisa recente do periódico americano Journal of Vocational Behaviour dá uma pista interessante e que se encaixa em diversos setores e hierarquias: entender que as tarefas realizadas geram benefício a outras pessoas, incluindo os colegas de trabalho, faz com que os profissionais considerem o emprego mais prazeroso e vejam significado no que desempenham. O estudo acompanhou, por nove meses, 600 profissionais que ocupavam cargos de diretoria, gerência e assistência nos setores de engenharia e educação.

Segundo Erundino Diniz, empresas com foco nas pessoas se preocupam em identificar os pontos de insatisfação e atuam para entender e acionar as lideranças para correção.

Para o coaching executivo da equipe Dasein, Erundino Diniz, “sentir-se útil e ter seu trabalho reconhecido pelos seus pares é, sem dúvida, uma fonte de satisfação e incentivo ao engajamento. Isso geralmente ocorre em empresas que valorizam o trabalho colaborativo e usam equipes multidisciplinares na solução de problemas”, diz. Ele destaca que em um ambiente como esse, os profissionais expandem seus conhecimentos além dos específicos de sua área, enxergam que não existem limites para o aprendizado e se motivam a fazer mais na direção do propósito da empresa e de seu próprio. “Na minha experiência, o grande desafio de manter um ambiente agradável advém da valorização do espírito de cooperação e cordialidade, da existência de valores e comportamentos pactuados e o sentimento que eles são efetivamente praticados”.

“Corporações que incentivam seus profissionais a encontrarem propósito nas tarefas conseguem promover mais engajamento nas equipes e costumam ter um ambiente de trabalho mais saudável”,  reforça Diniz. Essas organizações já passaram por uma definição do seu propósito e sabem que a sustentação dele vem de um compromisso de valores e atitudes que devem permear na organização. “O compartilhamento do conhecimento e da cooperação fazem parte de sua cultura, e permitem ao profissional ampliar a percepção do impacto de seu trabalho além de sua fronteira, gerando maior sensação de realização”.

Propósito x chefias

O estudo apresentado pelo Journal of Vocational Behaviour também chama atenção para um ponto fundamental que pode minar a vontade de buscar propósito de qualquer profissional: ter um chefe ruim. De acordo com a pesquisa, chefias inaptas dificultam e às vezes impedem que os profissionais encontrem um propósito no trabalho.

Erundino Diniz sublinha que em quase todas as organizações é possível encontrar lideranças que não facilitam adequadamente o desenvolvimento de pessoas, “São profissionais centralizadores, inseguros e necessitam de auxílio para mudar esses comportamentos. Normalmente são originários de culturas autoritárias e não conseguem perceber os grandes benefícios para si e para os outros de dar maior liberdade às pessoas e o prazer que é contribuir para o crescimento delas.”

Para reverter essa situação, aconselha o executivo, uma das possibilidades pode ser um processo de coaching ou mentoring onde a prática da delegação e da escuta (feedback) poderá descortinar insights  onde a  pessoa consegue identificar benefícios que são maiores que o esforço necessário para a mudança. Este tipo de trabalho permite uma avaliação mais rápida das chances de sucesso e auxiliam o processo decisório.

O papel do líder

Erundino Diniz destaca que a motivação de pessoas no trabalho é conquistada principalmente quando as lideranças são percebidas como parceiras e facilitadoras do sucesso de seus liderados. “A consequência dessa atitude gera profissionais mais produtivos e agregadores de valor para si e para a empresa”, destaca.

Segundo ele, quando o líder se autoconhece além de exemplo, ele poderá usar, com mais ênfase, o que tem de melhor e identificar eventuais comportamentos que necessitem especial atenção e ajuste. Um trabalho de definição de propósito da equipe feita em conjunto com a liderança poderá ser importante para o engajamento de todos.

Diniz ainda alerta aqueles que se encontram desanimados. “A desmotivação é um estado mental gerado por uma necessidade não atendida e merece especial atenção e verificação de suas causas. Ela é desgastante e nos torna apáticos, ineficazes gerando sentimentos de incompetência e as vezes de revolta. Empresas com foco nas pessoas se preocupam em identificar os pontos de insatisfação e atuam para entender e acionar as lideranças para correção”, diz. Mas ele questiona: devemos esperar que isto aconteça? “Penso que não, porque isto seria terceirizar a solução de um sentimento que está nos desgastando emocionalmente e cabe a nós, que somos os donos de nossas escolhas, entender o que devemos fazer.”

“Na maioria das vezes o descontentamento vem de frustrações de expectativas que podem ser de nossa exclusiva responsabilidade ou não, cabendo no caso da primeira, um ajuste delas à realidade e avaliar se isto ainda nos satisfaz. No caso de identificação de responsabilidade de terceiros devemos acionar as lideranças imediatas ou a equipe de recursos humanos”. Ele explica que esse tipo de inciativa é um treinamento de exposição e mostra também o compromisso dos profissionais com o bom ambiente de trabalho que gostariam de usufruir.

Conheça alguns passos para refletir sobre o seu propósito:

Desafio pessoal

Seja verdadeiro com você. Invista em autoconhecimento para ter clareza em relação aos próprios valores e conseguir avaliar de forma objetiva se há alinhamento entre o seu propósito e o da organização.

Benefício para o outro

Busque entender, na sua organização, como as tarefas que você desempenha impactam as outras pessoas da empresa e também a sociedade.

Job crafting

Essa técnica estimula que você “saia do script”, e busque interagir com outras pessoas da empresa, dos mais variados setores, para encontrar um sentido mais amplo naquilo que você e os outros desempenham.

Observe quem está no topo

Uma das maneiras de entender a cultura da empresa, sobretudo no que diz respeito às hierarquias, é compreender a trajetória das chefias dentro da organização. Esses profissionais foram promovidos por mérito, resultados, relacionamento ou eles chegaram lá por outros motivos? Se você pleiteia um cargo de liderança, é importante entender esses detalhes e se preparar.

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