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Empresa dos sonhos? Duvide dessa ideia

O outro lado do Vale do Silício

 

“Mais que uma empresa, um movimento de elevação da consciência mundial.” Era assim que Adam Neumann, ex-CEO da WeWork, definia a rede de escritórios compartilhados que havia fundado. Além de pretencioso, o referido propósito tem diversas camadas de entendimento. Um deles está ligado à suposta “essência revolucionária” que várias empresas de tecnologia assumiram enquanto deslanchavam mundo afora.

Tratando a missão do negócio como algo épico, esse foi um discurso que seduziu milhares de profissionais – desde os insatisfeitos ou entediados com o ambiente de trabalho a jovens que iniciavam a carreira. Convenceram, ainda, organizações tradicionais a, pelo menos, olhar com atenção para um novo modelo de trabalho, menos formal do ponto de vista estético (seja no ambiente ou no “dresscode”), mas também prático – o que trouxe, convenhamos, uma saudável revisão de processos.

Mas depois de uma sequência de escândalos envolvendo grandes empresas de tecnologia, muitas pessoas enxergam os graves problemas da imagem construída por parte desse ecossistema (É sempre bom lembrar que o setor das startups é formado por vários negócios sérios que não se renderem a discursos afetados).

Essa visão mais crítica sobre empresas do Vale do Silício está surgindo graças ao trabalho de pesquisa desenvolvido por instituições e pela imprensa abordando as histórias de seus bastidores. Boa parte desse material extrapolou as mídias impressas e a internet e chegou à televisão por meio de três séries que acabam de estrear no Brasil: “Super Pumped: a batalha pela Uber”, “WeCrashed” e “The Dropout”.

Além de estimularem um olhar crítico sobre a trajetória de gigantes da tecnologia, as produções colocam em xeque o sonho do trabalho perfeito, divertido e glamouroso vendido por muitas dessas empresas. A seguir, contamos mais detalhes sobre cada uma das séries.

Ascensão e queda de um discurso apaixonado

Avaliações de mercado infladas, estranhas práticas de governança, cultura organizacional esbanjadora e festeira. Esses foram alguns dos problemas que vierem à tona sobre a WeWork, a maior rede de escritórios compartilhados do mundo que quase foi à falência na época da primeira tentativa de seu IPO, em 2019.

A série “WeCrashed”, disponível na Apple TV, aborda a ascensão e queda da WeWork.

Para contar os bastidores dessa história de altos e baixos, a série “WeCrashed”, disponível na Apple TV, aborda, sobretudo, a trajetória e envolvimento de Adam e Rebekah Neumann, fundadores e principais executivos da empresa, em seu quase fiasco.

Conhecido como um casal excêntrico, eles criaram um mito em torno do WeWork: não se tratava de um empreendimento imobiliário, mas de uma empresa de tecnologia com a missão de oferecer experiências comunitárias que poderiam mudar o mundo (não só o corporativo). E conseguiram convencer muitos investidores com esse discurso apaixonado.

Com deboche e crítica, “WeCrashed” aborda não só a origem dos clichês de uma startup: (frases motivacionais em neon, mesas de jogos cheias em pleno expediente, festas regadas a bebidas), mas o comportamento que levou Neumann e Rebekah a serem depostos dos cargos máximos da empresa.

Bastidores (problemáticos) de uma “mente visionária”

O que está por trás da criação do aplicativo de transporte mais famoso do mundo? Essa é uma das perguntas que a série “Super Pumped: A batalha pela Uber” tenta responder. A produção, exibida pela Paramount, conta essa história a partir da trajetória do fundador do app e CEO, Travis Kalanick, que mais tarde foi destituído do cargo pela própria diretoria da empresa.

“Super Pumped: A batalha pela Uber” conta a história do fundador do app e ex-CEO, Travis Kalanick.

Além de estimular uma visão crítica sobre a organização, a série também questiona a “genialidade visionária” atribuída a muitos executivos à frente dessas empresas. Para isso, aborda os diversos escândalos envolvendo Kalanick e sua gestão à frente da Uber em 2017. Na época, a empresa passava por uma crise institucional após acusações de má conduta corporativa entre funcionários – haviam muitas acusações de assédios sexuais na empresa. No mesmo período, o Google moveu um processo acusando a Uber de roubar documentos confidenciais.

Até então, Kalanick assumia o posto máximo na empresa. Mas essa posição ficou insustentável após pressão interna dos acionistas para ele deixar o cargo. Sua situação foi degringolando ao ponto de, em 2019, ele ter que cortar todos os vínculos e sair definitivamente da organização que ele ajudou a fundar.

A falsa promessa de inovação

Comparada a Steve Jobs, Elizabeth Holmes, empresária da área de biotecnologia, era um dos nomes mais incensados do Vale do Silício nos anos 2000. Capa da revista Forbes aos 30 anos, tinha um patrimônio bilionário com a startup que havia criado, a Theranos, cuja história é contada pela série da Star +, “The Dropout”.

Comparada a Steve Jobs, Elizabeth Holmes, empresária da área de biotecnologia, era um dos nomes mais incensados do Vale do Silício.

Em 2003, aos 19 anos, Holmes trancou o curso de engenharia química em Stanford para se dedicar à starutp – um laboratório de exames de sangue que prometia uma técnica revolucionária para o mundo da medicina. Tratava-se de um aparelho (de uso doméstico) capaz de fazer testes com uma quantidade mínima de sangue e entregar qualquer tipo de resultado – de colesterol a doenças graves.

Elizabeth Holmes ganhou a atenção de investidores, da mídia e em poucos anos era considerada a mulher mais jovem do mundo a ter uma empresa bilionária. Porém, em 2015, começaram a surgir diversos casos de imprecisão nos testes e a Theranos foi investigada por órgãos governamentais.

A apuração ganhou manchetes na imprensa e uma série de reportagens no “Wall Street Journal” relatando falhas na tecnologia da startup e nos resultados dos exames. Alvo de diversas acusações, a empresa foi dissolvida em 2018 e Holmes foi considerada culpada por quatro crimes de fraude e conspiração. Atualmente ela aguarda a sentença prevista para o fim de 2022.

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