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Inspire-se com Lee Ellis

“Meus valores e comprometimento me dão força e coragem para entrar na batalha”

Lee Ellis é mais que uma inspiração para a Dasein. É um símbolo de caráter, autenticidade, assertividade, seriedade e perseverança, princípios que estão no alicerce desta empresa desde a sua fundação, em 1995. Por esse motivo, ninguém melhor que o célebre presidente da Leadership Freedom, e um dos grandes nomes entre os líderes mundiais, para figurar neste Inspire-se especial de aniversário!

Durante a guerra no Vietnã, após 53 missões no território inimigo, seu avião foi atingido. O senhor conseguiu se salvar graças ao paraquedas, mas aterrissou num campo de atiradores vietnamitas e foi capturado, permanecendo preso por mais de cinco anos. Quais ensinamentos o senhor tirou de uma experiência tão adversa como esta?

Tivemos bastante tempo para pensar e refletir nos campos de concentração. Dessa forma, adquiri um bom nível de autoconhecimento e pude questionar: quais são os meus pontos fortes e fracos? Quais são as minhas dificuldades e os meus medos? Sou autêntico ou me escondo atrás de uma fachada? – Eu queria ser verdadeiro e autêntico em todas as circunstâncias.

Aprendi a ter pensamento positivo e a esperar por bons resultados, mesmo em situações adversas. A comunicação é muito importante. Tivemos que nos esforçar muito, porque os inimigos tentavam de todas as formas evitar que nos comunicássemos. Outra importante lição que aprendi foi a de ser resiliente e me reerguer sempre. Sofríamos muito e éramos torturados, então aprendemos a ser resilientes.

Os nossos comandantes sofriam primeiro, com mais frequência e de forma mais dura. Eles tinham que manter o comprometimento com as suas funções, apesar do alto preço que pagavam.  Eles contornavam os seus medos e dúvidas para fazer o que era certo – e isso servia para nós como um exemplo poderoso. Queríamos ser como eles. O que eles fizeram foi aumentar a nossa coragem e comprometimento através dos seus próprios exemplos. O meu objetivo também se tornou o de fazer o que era certo, independentemente dos meus medos ou dos riscos associados a cada situação.

A “coragem” é citada pelo escritor inglês especialista em gestão, Simon Sinek, como o principal requisito para uma liderança inspiradora. Segundo ele, liderar é ter ousadia para arriscar o próprio pescoço, é ter que dar o primeiro passo e, assim, influenciar equipes. O senhor concorda com esse argumento? Porque?

Concordo plenamente com a fala do Simon. Em anos de experiência como um líder e consultor em liderança, percebi que a melhor forma de fazer com que as pessoas se desenvolvam e cresçam é por meio de exemplos vindos dos líderes. Os líderes vão na frente. E para dar exemplos é preciso coragem e, consequentemente, abertura a mudanças.

Além disso, liderar com honra e responsabilidade requer uma mentalidade de humildade – um desejo de se engajar na difícil missão de equilibrar o ego e a autoconfiança com zelo e cuidado pelos outros. Como vários atributos da liderança, essa tensão entre a autoconfiança e a humildade parece paradoxal e quase nunca é fácil para ninguém. Acredite, como um ex-piloto de guerra e com uma personalidade de quem assume a responsabilidade pra si, enfrento essa tensão diariamente. Os meus valores e comprometimento me dão força e coragem para entrar na batalha.

O crescimento é uma difícil missão que envolve coragem porque é preciso fazer escolhas para abdicar do que é natural, bom e confortável para poder alcançar o que queremos verdadeiramente: viver e liderar com honra. É difícil porque temos que manter o nosso caráter; enfrentar as nossas dúvidas e os nossos medos; e manter rigorosamente o nosso comprometimento com os nossos objetivos e com a responsabilidade. Esse é um processo que se estende por toda a vida e é por isso que devemos ser guerreiros resilientes focados no equilíbrio do nosso ego e da nossa humildade. Crescer com coragem mantendo essa mentalidade não é para os covardes.

Em seu novo livro, valores como caráter e também a coragem ganham destaque. Conte-nos mais sobre a importância desses princípios para as lideranças de hoje e qual a importância de ter coragem.

No meu novo livro, Engage with Honor: Building a Culture of Courageous Accountability, eu realmente abordo três atributos que foram cruciais para que os nossos líderes nos campos de concentração pudessem enfrentar o sofrimento e o sacrifício e, ao mesmo tempo, inspirar o restante de nós. Esses atributos são:

  1. Caráter: eles sabiam o que era certo e o que era errado; eles abraçaram o Código de Conduta Militar para campos de concentração. Você tem o motivo da sua luta bem esclarecido? Do que você não pode abrir mão?
  2. Coragem: eles passaram por árduas torturas e humilhações para poder cumprir suas obrigações, viver pelo Código e servir de exemplo para o restante de nós. Você se deixa engolir pelos seus medos e dúvidas, ou os enfrenta para manter os seus compromissos, tomar decisões difíceis e fazer o que é certo?
  3. Comprometimento: eles não desistiram. Eles sofriam duros castigos físicos, mas sempre se erguiam novamente. Eles acreditavam na missão e foram leais à nossa causa. Você se mantém leal aos seus valores? E você se mantém firme na estrada para alcançar os seus objetivos?

Se você desenvolver esses atributos, você vai poder liderar pelo exemplo. Você será capaz de mostrar aos outros como é um verdadeiro líder honroso. Você não tem que ser perfeito, mas sim transparente e estar disposto a enfrentar riscos. Você deve ter honestidade para admitir os seus erros e retornar ao caminho certo. Essa filosofia de liderança atrai e inspira seguidores em todo lugar – não somente nos campos de concentração.

Em entrevistas recentes o senhor destaca a importância do autoconhecimento e da capacidade de superação de obstáculos como base da evolução pessoal. Explique-nos o porque.

O verdadeiro autoconhecimento requer uma avaliação honesta sobre os nossos pontos fortes e as nossas dificuldades. Quais são os meus dons e habilidades natos? Em quais áreas preciso do auxílio dos outros? E depois, para penetrar ainda mais no nosso autoconhecimento, precisamos avaliar um problema presente na natureza humana – o potencial para o bem e para o mal está no nosso DNA. Sentado em sua cela nos campos de concentração da extinta União Soviética, no arquipélago Gulag, Solzhenitsyn concluiu que a linha que separa o bem do mal não corre entre estados ou partidos políticos, mas através do coração de todo ser humano. Outro prisioneiro famoso, Victor Frankl, psiquiatra austríaco, sobrevivente do Holocausto e autor do clássico “Men’s Search for Meaning” nos deu um conselho muito claro sobre como lidar com essa questão quando disse “existe um espaço entre o estímulo e a resposta. Neste espaço está o nosso poder para escolher a nossa resposta. Em nossa resposta, estão a chave para o nosso crescimento e a nossa liberdade.”

Para fazer a escolha entre o bem e o mal é necessário ter coragem. O mal engana e pode apelar para desejos superficiais e inconsequentes. Fazer o bem e tomar as decisões certas significa escolher o caminho mais árduo para combater as tentações do orgulho, do medo, da preguiça e da negatividade. A honra que conquistamos quando cumprimos as nossas obrigações ou ajudamos os outros é fruto de uma visão a longo prazo que só pode ser alcançada através da combinação entre a honra e a sua fiel escudeira, a responsabilidade – que são quesitos necessários para o autogerenciamento e a liderança saudável.

Ser criativo é talvez uma das habilidades mais admiradas atualmente. O senhor acredita que esse “ser inventivo” é uma competência que todas as pessoas podem desenvolver? Porque?

Ser inventivo e criativo é crucial para o sucesso das pessoas e das empresas. No meu último livro, Leading with Honor: Leadership Lessons from the Hanoi Hilton, eu falo sobre como a criatividade e a inovação são necessárias. “A necessidade é a mãe da invenção”, disse Platão. Vivenciamos essa fala nas condições extremamente limitantes dos campos de concentração. A inovação e a criatividade foram essenciais para a nossa sobrevivência. Da mesma forma, a inovação também é essencial para a sobrevivência de uma empresa. Em um estudo global sobre CEOs conduzido em 2010 pela IBM, 60% dos mais de 1500 CEOs entrevistados disseram que acreditavam que a criatividade seria o atributo mais importante que os líderes deveriam dispor nos anos seguintes. O estudo revelou que a maioria dos CEOs não acredita que as suas empresas estão devidamente preparadas para o ambiente de negócios do século XXI, que será caracterizado por uma mudança dinâmica de concentração de poder em âmbito global, que rapidamente transformará setores inteiros, aumentando exponencialmente o montante de informação, provocando uma regulamentação intrusiva por parte dos governos e alterando drasticamente a preferência de consumidores.

Os líderes de maior sucesso, concluiu o estudo da IBM, serão aqueles que valorizarem a criatividade e buscarem ideias inovadoras. Serão aqueles que quebrarem paradigmas com inovação, deixarem de lado abordagens ultrapassadas e estiverem dispostos a correr certos tipos de riscos, além de ter coragem para reinventar a si mesmos ou as suas empresas quando necessário. Sabendo que essa mudança tem que ser feita, qualquer líder pode tomar uma decisão consciente para abraçar de vez a criatividade e a inovação.

Acredito que todos podemos ser criativos de alguma forma se nos permitirmos pensar com criatividade. Há também algumas pessoas que têm um talento natural para ideias criativas – um tipo de criatividade que foge dos padrões. Essas pessoas estão na ponta, à frente do restante de nós, ultrapassando limites. Encontre essas pessoas e, se você conseguir cumprir com a difícil tarefa de gerenciá-las bem, elas poderão lhe trazer ainda mais sucesso.

Atualmente o Brasil passa por uma das mais graves crises políticas e econômicas de toda sua história, o que está impactando negativamente no mercado e na indústria. Para os executivos à frente das empresas, quais atitudes o senhor considera necessárias para melhorar esse cenário e estimular perspectivas mais positivas?

Quando estamos em momentos difíceis, seja como indivíduos ou nação, não é fácil enxergar a luz no fim do túnel. Tenho três dicas baseadas em pensamento positivo que uso para me ajudar a encontrar valor em momentos difíceis:

  1. Reflita profundamente – busque sentido e faça mudanças. A adversidade nos força a encarar as nossas convicções e os nossos valores, construindo, assim, o nosso caráter. Nas provações da vida, quando o que não é verdadeiro se esvanece, fica muito mais fácil enxergar o que realmente tem importância e o que não tem. Temos a oportunidade de encontrar valor em nosso sofrimento e o valor é um tesouro que vale a pena encontrar. A transformação que precisamos não é tão atraente em tempos de calmaria. No entanto, em tempos difíceis, a nossa dor pode nos dar a energia e a motivação para transformar as nossas atitudes e os nossos comportamentos.
  2. Vá longe – adquira sabedoria e experiência. Um estudo em liderança confirma que a experiência adquirida quando contornamos dificuldades não é apenas transformacional, nos deixando mais fortes, mas também nos torna mais sábios e mais preparados para os desafios da liderança. A sabedoria é conquistada quando passamos por momentos difíceis nos ajuda a navegar nos campos minados que a vida nos traz. A perseverança nesses momentos também aumenta a nossa autoconfiança, nos deixando preparados para os desafios que certamente virão. Por outro lado, líderes que não passaram por experiências difíceis tendem a ter autoconfiança em excesso e surpreendentemente são mais susceptíveis aos seus medos. Ter coragem para enfrentar os nossos medos em momentos difíceis nos torna humildes e nos proporciona uma autoconfiança verdadeira
  3. Não caminhe sozinho. Quando você estiver em uma batalha, você não vai querer ficar sozinho – você precisa de alguém que se preocupe com você e lhe apoie. Eles podem lhe dar coragem quando você estiver para baixo e perdendo as esperanças. Esse incentivo pode lhe dar a energia vital para que você possa se reerguer e recuperar a perseverança. Algumas vezes, uma ideia compartilhada ou uma nova perspectiva sobre um problema pode fazer toda a diferença. O simples fato de você saber que não está completamente sozinho pode lhe dar inspiração, coragem e energia necessárias para perseverar, mesmo quando você pensa que tudo está muito difícil para continuar. Todo combatente sabe que não é bom lutar sozinho.

Você tem uma escolha. Você pode ficar no meio da escuridão ou perseverar e encontrar a luz no fim do túnel.

Compartilhamos com os nossos leitores o que inspiram os principais líderes brasileiros. Cite um livro e um filme que o influenciaram ou foram marcantes para sua vida profissional e diga-nos o porque dessas escolhas.

Um livro que li várias foi Man’s Search for Meaning, de Viktor E. Frankl. Esse livro é baseado na experiência dele nos campos de concentração de Auschwitz e nas experiências dos pacientes dele como psiquiatra. Nessa obra, ele diz que não podemos evitar o sofrimento, mas podemos escolher como lidar com ele, encontrar significado e seguir em frente com objetivos renovados. A teoria dele – conhecida como logoterapia, do grego logos (“sentido”) – fala que o nosso principal combustível na vida não é o prazer, como alegava Freud, mas a descoberta e a busca pelo que achamos que realmente tem sentido na vida. É um livro que me estimula como líder, autor e consultor em liderança.

Um filme que me influenciou foi O Senhor dos Anéis: O retorno do Rei. Um filme épico de fantasia e aventura, baseado no segundo e terceiro volumes da obra de J.R.R. Tolkien, O Senhor dos Anéis. Esse filme mostra de maneira formidável a disputa interior entre o bem e o mal, entre a coragem e o medo e a qualidade da resiliência. Com certa frequência utilizo uma fala do filme durante as minhas palestras: “Não há liberdade sem sacrifício. Não há vitória sem perda. Não há glória sem sofrimento”.

Quais personalidades o inspiram atualmente e porque?

Muitos dos meus clientes me inspiram, porque eles vivem numa constante busca pela evolução pessoal e profissional. Um exemplo é o Ralph de la Vega, vice-presidente da AT&T Inc. e CEO da AT&T Business Solutions e da AT&T International. Ele também é o autor do prefácio do meu novo livro. A sua história pessoal de deixar Cuba para vir para os Estados Unidos é dramática e inspiradora. Além disso, ele tem uma ótima filosofia de liderança que o conduziu para o sucesso no mundo dos negócios. Ele conta a sua história pessoal em seu livro “Obstacles Welcome: How to Turn Adversity into Advantage in Business and in Life”.

Outro exemplo é uma cliente antiga, a senhora Carol Burrell, presidente e CEO do Northeast Georgia Health System. Ao longo dos dez últimos anos, essa instituição médica atingiu o topo do ranking  de hospitais da Geórgia e o top 10 dos hospitais dos Estados Unidos, conforme a avaliação da CareChex. Para atingir esse patamar, ela sempre manteve uma forte determinação para liderar da maneira certa, enfrentou com bravura os problemas que apareceram na instituição e se esforçou para unificar a sua equipe para trabalharem juntos em prol de melhorias e do desenvolvimento.

Compartilhe conosco uma frase ou ensinamento sempre presente em sua memória.

Existe uma frase que veio dos campos de concentração do Vietnã que me serviu e ajudou a me guiar pelos últimos 40 anos. Na minha vida profissional, eu a chamo de “Desafio da Coragem”. Defino coragem como fazer o que é certo mesmo quando você tem que sair da sua área de conforto e quando não se sente seguro. Contornar o medo para fazer o que sabemos que é certo – isso é liderar com honra. Quando tenho que tomar decisões pessoais ou profissionais no meu dia a dia, essa frase me ajuda a ter o compromisso de viver e liderar com honra.

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