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Dnews 10 anos: informação humanizada e de qualidade sempre terá lugar ao sol

Da Acta Diurna, placas de madeira que difundiam informações do Império Romano, ao salto evolutivo para a prensa de Gutemberg. Impressos, rádio, televisão, blogs, YouTube, podcasts, redes sociais, Whatsapp. Essa viagem pelos séculos mostra mais que o desenvolvimento e transformações de um meio de comunicação para o outro. Mostra duas características humanas que atravessam os tempos: a necessidade de se informar e de se reinventar.

Conhecer coisas novas, experimentar, investir em educação para se desenvolver. Essas são vontades intrínsecas à maioria dos seres humanos (salvo as devidas proporções, é claro). E apesar do salto evolutivo dos meios de comunicação, ter acesso à informação de qualidade, aquela que desperte o senso crítico do leitor, tem sido cada vez mais desafiador. Tanto pela superficialidade dos conteúdos que inundam nossas telas (quanto menos volume de texto, mais visibilidade na internet) e também devido a um momento conhecido como era da pós verdade (fatos objetivos têm menos influência em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e crenças pessoais.)

Por essas e outras razões, faz-se cada ver mais necessário defender o conteúdo aprofundado e combater certas convicções – no caso do jornalismo, nem sempre menos é mais. Propósitos que são levados a sério por esta revista, desde a sua fundação em 2008. “Sempre pensamos no leitor como um ser integral e não apenas em sua dimensão profissional”, destaca Adriana Prates, CEO da Dasein. “Acreditamos que profissionais felizes são, antes de tudo, pessoas felizes. Nesse sentido percebemos que poderíamos exercer alguma influência com um conteúdo mais amplo, mostrando perspectivas diferentes, visões de outras culturas e trazendo também informações sobre qualidade de vida, literatura e cultura.”

A dirigente conta que uma das motivações para a criar a Dnews foi a falta de empatia que sentia no conteúdo produzido por grande parte das organizações. “Quando recebia newsletters das empresas percebia que o conteúdo sempre era muito direcionado à venda de produtos e serviços e isso gerava um desconforto. Aquele informativo não havia sido feito pensando nos meus interesses ou dos leitores em geral, mas somente nos interesses da empresa. Paralelamente eu sentia a necessidade de que a Dasein tivesse um meio diferente que conversasse com as pessoas e em 2007 fizemos um planejamento e a primeira edição circulou no ano seguinte. Foram muitas evoluções desde então, de newsletter, revista impressa, até chegarmos ao formato de hoje, uma revista digital, cujo conteúdo ganha novo formato nas redes sociais.”

Para a diretora de jornalismo e apresentadora do Programa RCVips/SBT, Adriana Bagno, profissional que esteve à frente do primeiro projeto editorial da Dnews, humanizar é preciso, e essa foi uma grande sacada da Dnews. “Nem só de números e estatísticas vivem os executivos e as empresas hoje em dia. A revista é leve, elegante, fácil de ler e traz seções com assuntos diversos: grandes executivos sendo entrevistados ou mesmo dando sua opinião no Ponto de Vista, ou mostram sua sensibilidade na seção O Verso Inverso. E as seções Panorama, Inspire-se e Reportagem tratam de assuntos relevantes para o setor de forma séria, sem ser sisuda. Conteúdo rico, com muita qualidade de informação”, destaca.

Desafios do conteúdo em tempos de redes sociais

Defender, por tantos anos, a produção de um conteúdo especial, com foco no leitor, é sinônimo também de persistência. De acordo com Adriana Prates, há hoje uma tendência muito grande em ser sucinto demais, superficial, e muitas pessoas acabam se seduzindo por essas pílulas de informação, deixando de aprofundar seja num tema relevante ou numa reportagem. “Então resolvemos apostar na contramão. Não reproduzimos conteúdo de forma nenhuma, trazemos pessoas que tenham um diferencial para mostrar e para contar. Nossos convidados são interessantíssimos, com histórias sempre peculiares e com experiências ricas em campos diferentes. Esse mix, associado ao nosso contínuo esforço em pesquisar com intuição e sensibilidade, conquistou muitos leitores fiéis à nossa revisa. Queremos ir ainda mais longe nisso, expandindo e variando os canais para chegarmos a mais pessoas.”

De acordo com Adriana Bagno, a jornalista que passou por veículos de renome como Band, Record e Rede Minas, o momento digital, marcado pelas redes sociais, é uma nova fase e temos que vivenciá-la profissionalmente com uma nova mentalidade, pois os processos jornalísticos são outros. “Mas há uma característica no jornalismo que é seu fundamento: a credibilidade do profissional. E isso, não há tecnologia que consiga tirar de um bom jornalista ou de um bom veículo de comunicação”, sublinha.

“Parafraseando a professora e doutora em Teoria Literária e livre-docência em Ciências da Comunicação, Lúcia Santaella: ‘(…)mídias são meios. E os meios nada mais são que os suportes materiais nos quais as linguagens – essas, sim, protagonistas da comunicação como um todo -, tomam corpo e transitam.’ O bom jornalista e sua credibilidade, através de uma boa e adequada linguagem, sobreviverá!”, sublinha Bagno.

De acordo com a jornalista, o avanço tecnológico está provocando uma enorme mudança no “fazer” jornalístico. Ele está se transformando, mas não vai acabar devido às redes sociais. “Os desafios na era atual são, na verdade, propulsores fantásticos para que nós, jornalistas, aproveitemos os recursos que a tecnologia nos oferece para usá-los de maneira criativa, e, não, acomodada. Mudanças sempre ocorreram, só que antes, tínhamos mais tempo de nos adaptar a elas. O que acontece nos dias de hoje é que mal conseguimos absorver uma nova plataforma, um novo suporte de mídia, e já nos apresentam outra nova forma de comunicarmos.”

Para Adriana Bagno, “é preciso repensar o jornalismo como um todo. Fazer desse limão não uma limonada, mas um bolo de chocolate! É isso que o momento nos pede: fazer jornalismo digital com uma mentalidade digital. E o que está ocorrendo é que vários veículos de comunicação e muitos jornalistas insistem ainda em trabalhar com uma mentalidade analógica.”

Desconfie, compare, pesquise

Como hoje a ordem é chegar ao leitor e não esperar que ele venha até você, as redes sociais nunca tiveram tanto poder de informar. O lado positivo: democratização do conteúdo, mais vozes são ouvidas e não somente os grandes veículos da mídia têm o poder de noticiar. No entanto, a falta de apuração da informação criou vários problemas, entre eles as fake news.

De acordo com pesquisa realizada em Stanford com mais de 7 mil alunos norte-americanos do ensino médio e superior, 40% deles tiveram problemas para checar a credibilidade das informações divulgadas na internet e não conseguiram detectar fake news. Esse estudo, afirmam os especialistas, não é um caso isolado e serve como um reflexo de outros países que estão à mercê das notícias enganosas.

E você pode se questionar: as notícias falsas sempre existiram. Sim, isso é verdade. Mas o que mudou é a intensidade de sua circulação. Hoje, com as redes sociais e WhatsApp, elas se alastram com muita rapidez. Segundo a agência de notícias Reuters, 65% dos brasileiros usam o celular para ler notícias e 45% usam o WhatsApp para se informar. Ou seja, o compartilhamento está a um clique e é feito, na grande parte das vezes, sem checagem da veracidade da informação.

Nesse aspecto, Adriana Bagno ressalta que não só o leitor precisa estar atento, mas também o jornalista. “Ganhamos hoje um novo gatekeeper no ecossistema jornalístico: o próprio leitor, que tem poder de compartilhar informações quando e como lhe convir, por vezes, sem nenhuma responsabilidade. Mas o jornalista precisa buscar apurar detalhadamente a veracidade das informações, seja através de sua fonte, dos colegas ou mesmo de especialistas, se o assunto assim exigir. A credibilidade das informações que o jornalista passa é o legado da profissão.”

De acordo com a jornalista, existem hoje no Brasil boas agências checadoras de notícias. É primordial que elas sejam consultadas também para se ter uma referência. Não apenas pelo consumidor de notícias, mas, também por jornalistas que acaso tenham dificuldades de apurar algo por si mesmos. E nunca, mas nunca mesmo, passar uma informação no caso de ter alguma dúvida sobre sua autenticidade.

Para Martin Baron, editor executivo do jornal americano The Washington Post (jornalista retratado no filme vencedor do Oscar em 2016 “Spotlight: Segredos Revelados”) é essencial também refletir sobre um efeito ainda mais grave em relação à pós-verdade e fake news. “A pior consequência é fazer um trabalho sério de apuração, algo que demanda dedicação e tempo, e as pessoas não acreditarem nele. Se nós tivermos investido muitos recursos, tempo e dinheiro tentando encontrar os fatos e então as pessoas simplesmente os rejeitarem porque eles não concordam com as conclusões. Então essa é uma preocupação real com qualquer notícia agora. Que nós façamos o trabalho e então as pessoas automaticamente o rejeitem por não se encaixar no seu próprio ponto de vista preexistente.”

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