Em tempos de mudança, o que se espera de um líder também mudou
Em entrevista com Fernando Terrile, diretor da EMA Partners Argentina, colocamos em perspectiva o papel do líder frente às mudanças e o que as empresas esperam de seus executivos
Em um mundo em que tecnologia, mercados e modelos de negócios mudam o tempo todo, o que se espera de um líder sênior também muda. Nesta conversa com Fernando Terrile, diretor da EMA Partners Argentina, mostramos porque a capacidade de aprender rapidamente se tornou um diferencial entre as lideranças mais experientes. Em muitos casos, executivos de sucesso estão colocando em xeque máximas de gestão que os levaram até o topo.
À medida que a tecnologia, os mercados e os modelos de negócios evoluem, também evoluem as expectativas em relação aos líderes seniores. Nesse contexto, a capacidade de aprender rapidamente pode se tornar um diferencial significativo? Por quê?
A capacidade de aprender rapidamente está se tornando um fator muito importante na identificação de competências para líderes seniores, pois nos ajuda a incorporar novas formas de compreender o mundo, integrar tecnologia, identificar tendências e muito mais. No entanto, não é o único fator. É claramente uma capacidade que os líderes devem possuir e/ou desenvolver, mas só será verdadeiramente valiosa para as empresas quando combinada com bom senso, experiência, pensamento estratégico e habilidades de execução (capacidade operacional). A capacidade de aprender por si só não agrega valor no nível sênior.

Fernando Terrile é diretor da EMA Partners Argentina.
Ao avaliar um candidato para um cargo de liderança sênior, qual o peso da sua atitude em relação ao aprendizado contínuo na decisão final? E quais sinais de alerta você identificou em líderes que, apesar de terem um histórico sólido, pararam de atualizar seus conhecimentos e habilidades?
É comum encontrar líderes bem-sucedidos que utilizam repetidamente a mesma fórmula para o sucesso. Isso lhes dá confiança e resultados por um tempo, desde que o paradigma ou contexto permaneça semelhante. O problema hoje é que grandes mudanças de paradigma e contexto estão ocorrendo, e essa fórmula para o sucesso não é mais tão eficaz. Os líderes precisam desaprender sua fórmula e aprender a ter sucesso novamente em um novo mundo.
Essa capacidade de aprendizado é crucial porque o mundo está mudando rapidamente e as antigas maneiras de alcançar o sucesso não são aplicáveis em novos contextos. Os sinais de alerta que identificamos em líderes são quando ouvimos a mesma fórmula para o sucesso aplicada a diferentes problemas e identificamos um padrão de comportamento repetitivo e limitado. Em contrapartida, existem líderes que demonstram diferentes abordagens ou recursos para alcançar o sucesso em diferentes contextos; geralmente, esses indivíduos são os mais abertos à incorporação de novas ferramentas (conhecimentos e habilidades).
Dado o ritmo atual das mudanças tecnológicas e de mercado, você acredita que as empresas devem considerar o desenvolvimento contínuo de seus líderes como um requisito formal – com objetivos e monitoramento – ou ele perde eficácia quando deixa de ser uma escolha pessoal do executivo?
O desenvolvimento contínuo é muito importante e o compromisso da empresa com ele envia um sinal positivo ao líder. Para que o aprendizado seja completo, o líder deve estar envolvido e tomar a iniciativa em seu desenvolvimento pessoal, deve identificar suas necessidades e estar disposto a incorporar novos conhecimentos. Sem isso, o treinamento se limita a cumprir objetivos ou requisitos formais. O verdadeiro aprendizado ocorre quando a liderança reconhece o que “não sabe” e busca avançar para o próximo estágio de aquisição de conhecimento. No entanto, se não houver abertura do líder (não identificar sua necessidade e não quiser atendê-la) a novos conhecimentos, o processo de aprendizado não será verdadeiramente abrangente. O desejo de aprender é fundamental para o aprendizado.


