Solicite uma proposta
y Fechar busca
Não encontrou?

Pesquisar...

Recrutamento em foco: remuneração

Remuneração como instrumento estratégico na contratação de altos executivos

 

Contratar um alto executivo envolve um processo complexo, que inclui, conexão cultural, visão de negócio, liderança e, claro, a remuneração – que é algo que vai muito além dos números. Para falar sobre esse assunto, em especial sobre o universo da remuneração dos executivos de alto escalão, convidamos a expert no assunto Reet Bhambhani, diretora de Operações da EMA Partners India.

 

Poderia nos explicar porque a remuneração é um instrumento cada vez mais estratégico para as empresas?

A remuneração sempre foi uma troca. O que mudou foi o que está sendo trocado. Antes, era tempo e conhecimento especializado por dinheiro. Agora, é risco por potencial de ganho. Essa mudança é o que torna a remuneração um instrumento estratégico.

Os líderes de hoje estão navegando por mandatos de transformação, disrupção digital, pressão regulatória e incerteza geopolítica. Se você está pedindo a um executivo que assuma esse tipo de risco, a estrutura de remuneração precisa refletir isso. Quando você introduz opções de ações para funcionários (ESOPs), unidades de ações restritas (RSUs), incentivos vinculados à saída, direitos de co-investimento, você não está mais fazendo uma oferta de remuneração; você está literalmente estruturando um acordo. Você está pedindo ao executivo que tenha participação no sucesso da empresa, da mesma forma que um investidor.

Reet Bhambhani é diretora de Operações da EMA Partners India. Créditos: EMA/Divulgação

Outra coisa que mudou é que as estruturas padronizadas baseadas em níveis hierárquicos não funcionam mais. Cada situação é diferente. A remuneração precisa seguir a estratégia, não o organograma.

Assim, ela acaba fazendo quatro coisas ao mesmo tempo: atrair, reter, alinhar e governar. A sofisticação reside em projetar algo que mantenha os quatro elementos em tensão produtiva, específico para o estágio da empresa, seu setor e para onde ela pretende chegar.

Em artigo publicado no seu perfil do Linkedin, a senhora afirma que a remuneração de altos executivos deve ser cuidadosamente estruturada para recompensar o presente e, ao mesmo tempo, promover a responsabilidade para o futuro. Poderia nos explicar melhor essa ideia?

Em termos simples: se você recompensa apenas a execução a curto prazo, terá um pensamento de curto prazo. Os líderes otimizarão para o ano em que serão avaliados, ponto final. Já vimos isso acontecer quando executivos que atingiram suas metas anuais com excelência deixaram a empresa estruturalmente mais fraca.

O modelo moderno de remuneração é uma resposta deliberada a isso. Incentivos de curto prazo (STIs) e bônus por desempenho lidam com o presente: receita, EBITDA, marcos importantes. Mas isso é apenas metade da equação, e o futuro está ancorado em planos de opções de ações para funcionários (ESOPs), unidades de ações restritas (RSUs) com vesting de três a cinco anos e incentivos de longo prazo (LTIs) atrelados a métricas plurianuais, como o retorno total para o acionista (TSR) ou o retorno sobre o capital empregado (ROCE). O sinal é: queremos que você invista no futuro, não apenas no presente.

Além disso, existem as cláusulas de recuperação (clawback), que reduzem a diferença entre recompensa e consequência. Se as decisões tomadas hoje causarem danos daqui a dois anos, o executivo não estará imune a isso. Isso é relativamente novo, mas é importante.

No meu artigo, fiz uma analogia com a refeição, comparando o aperitivo ao digestivo, e nada é por acaso. É assim que funciona quando bem feito. Cada elemento desempenha uma função específica e, juntos, criam uma estrutura que recompensa o presente, ao mesmo tempo que responsabiliza o executivo pelo futuro.

Além de atrelar a remuneração aos resultados financeiros, as empresas estão atrelando outros incentivos/bônus a metas de impacto social, ambiental e metas de equidade. Quais os benefícios que essa estratégia gera para o alto executivo e para a empresa?

Quero ser honesta, não idealista. Há alguns anos, a remuneração vinculada a critérios ESG era em grande parte simbólica; uma pequena porcentagem atrelada a métricas de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) ou metas de sustentabilidade, marcadas como cumpridas em uma apresentação para o conselho. Em algumas empresas, essa ainda é a realidade.

Mas quando é feita com intenção, ela se mostra bastante poderosa, para ambos os lados.

Para o executivo, legitima uma definição mais ampla de seu papel. Diz: seu trabalho não é apenas atingir as metas de lucros e perdas, mas você é responsável por conduzir como esta organização se apresenta ao mundo. A liderança no nível mais alto sempre carregou uma responsabilidade de 360 graus: com os acionistas, sim, mas também para com os funcionários, clientes, comunidades e, cada vez mais, com o planeta. A remuneração vinculada a critérios ESG torna essa responsabilidade explícita e pessoal. Para líderes que pensam em legado, isso importa. Também atrai um certo tipo de líder, aquele que pensa em sistemas, não apenas em resultados trimestrais.

Para a empresa, o benefício é mais estrutural. Construir uma organização responsável precisa estar integrado à cultura e isso deve ser impulsionado de cima para baixo.

Conteúdos

Relacionados

Executivo de Valor: o que vi, vivi e aprendi

Executivo de Valor: o que vi, vivi e aprendi

Ao longo de sete anos tenho o privilégio de...
“DNA do Comportamento de Liderança”

“DNA do Comportamento de Liderança”

Parceiro exclusivo da Dasein no Brasil, Lee Ellis acaba...
10 min de leitura
Receba novidades

Newsletter

Para acompanhar nossas novidades, insights e outros formatos de conteúdo, cadastre-se e siga conosco. Será um prazer ter a sua companhia nessa jornada.