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Radar executive search: o que o ESG diz sobre o seu negócio?

Lucro e consciência: não é utopia, é ESG

 

“Ganha quem se importa”. Esse é o título do emblemático relatório da ONU que deu origem, em 2005, ao conceito ESG, sigla para Environmental, Social and Governance (meio ambiente, sociedade e governança, em português). Na ocasião, 20 entidades financeiras de nove países, entre eles o Brasil, se reuniram para estabelecerem diretrizes sobre grandes desafios econômicos globais. Conclusão: fatores como sustentabilidade ambiental e social, gestão de ativos e governança passariam a ser pré-requisitos para investimentos em empresas mundo afora.

Adriana está com as mãos nos bolsos olhando para a frente

Adriana Prates – CEO da Dasein e conselheira AESC para as Américas.

E é isso que vem acontecendo, como destaca a CEO da Dasein Adriana Prates. “O ESG está ganhando cada vez mais força no mercado acionário internacional (liderado pela norte-americana Nasdaq) e nas principais empresas do mundo. Mais de 80% das companhias já priorizam o desenvolvimento sustentável em seus planejamentos e ações, um crescimento de 20% em comparação a 2019. E 7 a cada 10 empresas já avaliam seus funcionários sêniores com base em critérios de governança e sustentabilidade”, diz. Segundo ela, esses são números apurados em fevereiro deste ano pelo primeiro levantamento sobre o cenário empresarial do ESG, o “Global Impact at Scale: Corporate Action on ESG Issues and Social Investments 2020” que analisou cerca de 200 empresas de 23 países que juntas têm receita média de 8 bilhões de dólares.

A dirigente explica que, na prática, há um crescente uso do ESG por parte dos investidores para avaliar a maturidade das organizações e se elas estão mais ou menos expostas a riscos. “Essa já é uma realidade fora do Brasil e a sua presença nas empresas nacionais será uma questão de tempo. Mas faço um alerta – o ESG não pode ser implantado como prática de cunho filantrópico. Ele deve ser compreendido como realmente é: um poderoso indicador de metas de desenvolvimento.”

Mesmo que o caminho ainda seja longo para grande parte das empresas brasileiras, Adriana ressalta que muitas organizações já colhem frutos do ESG, como é o caso do Magazine Luiza. Com iniciativas inovadoras em torno da diversidade, inclusão social e tecnologia, a empresa mostra que não se preocupa só com lucro, mas também com as pessoas que ela impacta e com a sociedade na qual está inserida. “A própria Luiza Trajano falou recentemente que seus clientes compram, cada dia mais, pelas atitudes da empresa, não somente pelo produto. Mais que reputação positiva, esse é um componente essencial para aumentar o valor de mercado da empresa – que de fato é muito maior hoje. Outro ponto ressaltado por ela que considero essencial: a clareza de que, para alcançar esse resultado, a empresa teve que reduzir sua meta de lucros durante um bom período.”

Para Maria Flávia Bastos, professora da Fundação Dom Cabral, escritora e palestrante, muitas empresas enxergarão – como já estão enxergando – que a junção de lucro e consciência social só traz vantagens. “Mas não acho que estamos tão perto de viver isso no Brasil. Infelizmente, muitas empresas só agem por conformidade, seja pela falta de informação de qualidade, seja pela incapacidade de enxergar valor social como oportunidade para o negócio. Acontece que ESG será, em breve, uma conformidade. As empresas que não investirem em práticas voltadas para o ESG, terão dificuldade com novos investimentos, fornecedores e clientes e até com colaboradores já que, a força de trabalho formada pela Geração Y, já tem uma nova consciência acerca da importância socioambiental.”

Do individual para o coletivo

Adriana Prates sublinha que grandes transformações são iniciadas pela sensibilização do alto escalão, mas para que isso aconteça é necessário, primeiramente, que os principais “indivíduos/tomadores de decisões” compreendam, em detalhes, todo o caminho que será percorrido, incluindo ônus e bônus. “A mudança deve ser genuína. Compromissos assumidos têm de ser acompanhados de metas, prazos, novas diretrizes para processos. Se não for assim, ficaremos só no discurso. E ressalto a importância de todo o board ter clareza que a empresa está fazendo um investimento e, portanto, os resultados financeiros serão impactados por um período.”

Maria Flávia está em um jardim segurando uma folha

Maria Flávia Bastos é escritora, palestrante e professora da Fundação Dom Cabral.

Maria Flávia Bastos também destaca que não basta as lideranças pensarem em ESG sem um efetivo apoio de sua diretoria e conselho. “A sustentabilidade precisa estar no centro das discussões da empresa e ser tratada com a mesma importância dos processos de inovação em produtos e serviços. Então, com uma empresa que tenha ESG, de fato alinhado às suas estratégias, poderemos ter lideranças que poderão, até mesmo na sua rotina, em práticas não tão difíceis de serem feitas, começar um processo de mudança.”

“Vou usar a sensacional definição do Carlo Pereira, diretor-executivo da Rede Brasil do Pacto Global da ONU, ao dizer que ‘ESG não é uma evolução da sustentabilidade empresarial, mas sim a própria sustentabilidade empresarial’”. Então, se você não conhece, procure conhecer e já pense nas práticas para o quanto antes. O futuro não está mais tão distante. Ele é urgente e está todo pautado em novas práticas que garantam um futuro equânime e sustentável para o planeta.”

Exemplo que vem do alto escalão

Segundo Paulo Misk, presidente da Largo Resources – mineradora canadense com operações na Bahia – cuidar das pessoas, olhar o ser humano, ter consciência ambiental e social deve ser um pré-requisito para qualquer empresa. “Não apenas porque essa é uma métrica que vem ganhando força no mercado de investidores, mas, especialmente, porque quando priorizamos a percepção humana, social e ambiental, nós conseguimos um ambiente de trabalho mais saudável, colaboradores mais felizes, trazemos um sentimento de orgulho e pertencimento para dentro da nossa organização, o que reflete também na sociedade ao nosso entorno e isso tudo, organicamente, se traduz em rentabilidade.”

A Largo, que tem uma unidade voltada a tecnologia de armazenamento de energia, teve recentemente suas ações negociadas pela Nasdaq, uma das principais bolsas de valores do mundo com critérios altamente rigorosos voltados ao ESG. Nessa linha, Misk ressalta o cuidado especial com o meio ambiente e com as pessoas, desde a gestão interna de resíduos, reaproveitamento da água, até a disseminação da educação socioambiental.

Paulo Misk está olhando para frente e sorrindo

Paulo Misk é CEO e presidente da Largo Resources – mineradora canadense com operação na Bahia.

“Nosso cuidado é diário e nossos projetos se preocupam com o bem-estar de comunidades carentes, com a melhoria da vida de famílias no interior dos estados onde outros setores da indústria, comércio e serviços normalmente teriam muita dificuldade em chegar”, diz. “Eu tenho uma visão simples das coisas e, nesta simplicidade, te pergunto em que ambiente você trabalharia melhor e mais feliz? Em uma empresa em que você se identifica com valores e propósitos ou em outra apenas para ganhar seu salário no fim do mês? Claro que nem precisa responder. Resultados extraordinários vem da paixão de cada um em fazer o que gosta e acha que vale a pena.”

Rentabilidade com consciência

Na Largo Resources, ele destaca, “ser rentável vem como resultado de nossas ações, da garra dos nossos trabalhadores, da inclusão e capacitação de mão de obra diversa, do apoio e investimento em projetos nas comunidades, que capacitam professores, jovens costureiras, apicultores, fomentam o esporte e a cultura. Combinar lucro e consciência social é a mola propulsora do presente para empresas que compreendem o seu papel e seu espaço agora e no futuro. A Largo, inclusive, acredita tanto nessa combinação que o nosso produto, o vanádio, tem nos impulsionado a investir em tecnologias que viabilizam o maior uso de energia limpa com o objetivo de ter um mundo melhor sem emissão de carbono na produção de energia.”

A empresa, segundo o dirigente, tem projetos na Bahia voltados à educação, formação profissional, treinamento dos funcionários e, também, das pessoas que moram nas comunidades. “Acabamos de inaugurar um centro de treinamento do Senai em Maracás, cujo objetivo não é formar profissionais para a Vanádio de Maracás, mas sim para qualquer atividade gerando oportunidade para quem quer ter uma vida melhor. O exemplo da Ferbasa, que mantém educação para mais de 3 mil alunos é fantástico. É consciência pura do nosso papel na sociedade. Talvez sejamos ruins em divulgar. Precisamos divulgar para motivar mais lideranças a ter esta postura. A nossa cultura organizacional prioriza e reconhece o fato de que, antes do funcionário, nós temos pais e mães de família, filhos, tios, temos pessoas com sonhos, com desejo de realização e concretização de objetivos que procuramos, sempre que possível, sonhar e alcançar juntos”.

Paulo Misk não critica quem investe no desenvolvimento dos profissionais com o objetivo de ter bons resultados no mercado acionário internacional. “Mas este não é o motivo que nos move. Preferimos ter o sorriso de quem aproveitou a oportunidade de aprendizado profissional para criar uma vida digna, cheia de esperanças, sonhos e realizações.”

Ele destaca ainda que as operações focadas em ESG geram um sentimento de orgulho e pertencimento por parte dos colaboradores, “o que tem um poder incrível. Mas para além desses importantes ganhos, garantir que a natureza seja preservada, disseminar o consumo consciente e permear a cultura de cuidado entre as pessoas é o maior legado das operações focadas em ESG. É saber que essas práticas não ficam restritas ao ambiente empresarial e operacional, elas se propagam nas conversas em roda de amigos, na forma como nossos colaboradores educam seus filhos, no comportamento das comunidades locais, na criação e extensão de valores importantes para a vida em sociedade com respeito à natureza e às pessoas. É contribuir para o mundo seja melhor. Precisa mais? ”

 

A grande pergunta ESG: o que colocar em prática?

Com base em análise do cenário global, a CEO da Dasein, Adriana Prates, lista as principais ações que vêm sendo implementadas em empresas líderes em ESG. Confira:

Meio Ambiente (Enviromental): projetos em torno da gestão de resíduos, economia de água, preservação florestal, redução da emissão de poluentes como carbono estão no topo das ações;

Sociedade (Social): práticas pró-diversidade, que favoreçam que mulheres e pessoas negras ocupem as cadeiras de líderes, remuneração igualitária, ações beneficiando a comunidade que a empresa impacta são muito valorizadas nas métricas ESG;

Governança (Governance): ética e transparência na conduta corporativa, seja em suas auditorias, remuneração de executivos, pagamento de impostos e lisura em todos os processos.

 

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