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Por dentro da economia regenerativa

“Precisamos fazer muito mais para mantermos nosso planeta, precisamos revigorar, revitalizar, devolver energia”

Bate-papo com Gui Arruda, CEO da VG Resíduos

 

Temporais históricos que devastam cidades inteiras, termômetros superando recordes e secas intermináveis denunciam, há tempos, a alarmante crise climática que vivemos. Como tentativa de frear tantos danos, ser sustentável não é mais suficiente. Para reverter o estrago, será necessário reconstruir – o meio ambiente e as mentalidades.

Sim. Fazer sua parte para zerar impactos negativos (seja você pessoa física ou jurídica) já não adianta mais. As medidas que precisam ser tomadas, de forma urgente, devem visar a revitalização do que foi destruído. E é a esse fim que a economia regenerativa se propõe. Neste novo sistema, as empresas concentram esforços para criarem negócios que, além de gerarem lucro, gerem impactos positivos ao meio ambiente e à sociedade.

Gui Arruda lidera a VG Resíduos, eleita uma das 10 startups mais promissoras da área ambiental pelo ranking “100 Open Startups”.

De acordo Gui Arruda, CEO da VG Resíduos, uma das mais promissoras startups da área ambiental, pesquisas da Scientific Reports, realizadas em 2020, mostram que esse ‘ponto sem volta’ já passou. Esse, inclusive, foi um dos pontos de destaque durante a COP 26 (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2021), que reuniu recentemente em Glasgow, na Escócia, as principais lideranças do mundo.

“O consenso é que precisamos fazer muito mais para mantermos nosso planeta, precisamos revigorar, revitalizar o meio ambiente, devolver energia. De forma geral, esse é o conceito da economia regenerativa e um dos principais caminhos para conseguirmos atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e a agenda 2030”.

Gerar impactos positivos é questão de sobrevivência

Enquanto na era do compartilhamento o valor estava na “experiência do cliente”, hoje, em uma economia regenerativa, o valor passa a ser mensurado pelos impactos que o negócio gera nas pessoas, no ecossistema e na sociedade. De acordo Arruda, estudos da PWC mostram que 77% dos consumidores pretendem parar de comprar produtos que não estejam adequados ao ESG nos próximos 2 anos.

Ou seja, provocar impactos socioambientais positivos é questão de sobrevivência para as empresas e governos. “O grande desafio é o que fazer para nos tornarmos regenerativos. Entendemos, na VGR, que nosso papel é expandir para além dos nossos stakeholders impactando toda a sociedade. Deixamos de ser uma ferramenta de gerenciamento de resíduos para nos tornar um dos caminhos para a jornada regenerativa.”

O papel das empresas na criação de uma sociedade regenerativa

“As empresas têm um papel fundamental na criação de uma sociedade regenerativa. Nesse ‘novo mundo’, vejo as organizações como plataforma de desenvolvimento pessoal, alinhando o propósito pessoal com o da empresa, permitindo que cada pessoa explore seu potencial impactando toda a sociedade. Para isso acontecer, as empresas precisam estimular as pessoas a identificarem seu propósito e criarem condições para que esse propósito seja exercido. Criar condições, dando liberdade, autonomia e educação que suporte as pessoas nesse desenvolvimento”, sublinha Gui Arruda.

Na prática, e de forma mais imediata, o executivo cita iniciativas em torno de capacitações e processos seletivos focados em grupos sociais que tiveram menos oportunidades com objetivo de criar um ambiente mais diverso e com pessoas que possuem experiências diferentes. “São ações que já podem ser vistas em algumas empresas e além da regeneração social, favorecem a criatividade e inovação.”

Regenerar também é incluir e desenvolver quem não teve oportunidades

Segundo Arruda, é natural pensar que diferentes opiniões, diferentes experiências e visões combinadas têm uma maior probabilidade de gerar um melhor resultado que apenas uma opinião ou visão. E, portanto, esse ambiente diverso e inclusivo é algo que as empresas estão tentando construir. Entretanto, na prática, isso tem sido um desafio porque devido a problemas históricos e estruturais as maiores ofertas do mercado são profissionais parecidos, com visões e experiências similares.

“E quando estudamos sobre o tema, um dos pilares da economia regenerativa é o desenvolvimento pessoal”, desataca. Ao invés de tentarem encontrar no mercado esses profissionais já preparados, as empresas regenerativas se propõem a formar e desenvolver pessoas que não tiveram oportunidades ou que são de grupos sub-representados, ou de lugares fora do eixo RJ-SP. E o grande benefício é que elas conseguem criar esse ambiente inclusivo e diverso tão desejado, e ainda se tornam um lugar onde talentos querem estar, porque oferecem autonomia e liberdade para exercerem seu propósito.”

Liberdade para ser você mesmo, sem distinções entre vida pessoal e profissional

Gui Arruda chama atenção ainda para as práticas, entre empresas regenerativas, que estimulam a autonomia e a liberdade. “Elas são divididas em três pilares: autogestão e integralidade, além do propósito evolutivo, que citei acima. No caso da autogestão, a empresa se organiza como um ‘sistema vivo’ onde cada pessoa funciona como um ‘sensor’ que capta tensões ou oportunidades de melhoria e também como ‘cérebro’ criando propostas de melhorias e tendo autonomia para implementá-las. E essa descentralização do poder chega até em pontos mais polêmicos do dia a dia da empresa como definição de salários, processos de contratação e demissão. Um modelo inovador comparado com o tradicional onde as empresas se assemelham a ‘máquinas’ que têm uma camada em cima que toma as decisões e dão os comandos para as ‘engrenagens’ executarem.”

No caso da integralidade, as organizações regenerativas propiciam um espaço que as pessoas possam ser elas mesmas, sem a necessidade de ter uma distinção entre a ‘personalidade pessoal’ e ‘personalidade profissional’, isso faz com que as pessoas se sintam envolvidas e parte essencial de um organismo vivo, gerando maior engajamento e senso de pertencimento. “O ‘check in’ e ‘check out’ no início e no fim de cada reunião na VGR é um exemplo de prática de integralidade. No ‘check in’ cada pessoa traz rapidamente como está se sentindo ao entrar na reunião”, diz. Como forma de ilustrar, Arruda cita uma situação que ocorreu recentemente com seu time. “Em uma reunião que tivemos sobre orçamento, um dos colaboradores disse que estava muito preocupado porque sua avó tinha acabado de se internar com Covid. A condução da reunião foi feita de forma bem diferente do que teria sido feita se todos estivessem em ‘condições normais’. Esse é uma forma de como considerar o ser humano como um todo no dia a dia do trabalho e não apenas uma máquina que tem ‘esquecer’ suas preocupações e problemas pessoais para estar no ambiente de trabalho.”

 

*Gui Arruda  lidera a VG Resíduos,  eleita uma das 10 startups mais promissoras da área ambiental pelo ranking “100 Open Startups”. 

 

 

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