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Radar executive search Brasil: inovação aberta

Conheça as vantagens da união entre tradição e a nova economia proporcionadas por acordos de inovação aberta

 

Não é de hoje que associamos sucesso à capacidade de reinvenção – seja para negócios ou pessoas. Mas o que até pouco tempo fazia parte mais do discurso do que da prática, tornou-se obrigatório. Um exemplo? A digitalização imposta pela pandemia. De um mês para outro, milhares de pessoas e empresas foram obrigadas a reverem processos para se adaptarem ao trabalho virtual – segundo o Índice de Transformação Digital da Dell Technologies, 87,5% das empresas instaladas no Brasil realizaram iniciativas robustas de transformação digital em 2020.

gustavo olha para frente e sorri

Gustavo Caetano é fundador da Sambatech, uma das empresas pioneiras na tecnologia de streaming.

Diante desse cenário, há um fator que deve ser muito bem compreendido por gestores, para não fazer da digitalização algo pontual: estamos falando de cultura. Especificamente da cultura de inovação – mais colaborativa, ágil, que incentive a livre troca de ideias, que estimule testes. É aí que entra a inovação aberta (open innovation) como alternativa à criação de uma cultura disruptiva do zero (o que seria um processo muito mais longo e caro para as organizações). Ao ser inserida no ecossistema de inovação, por meio dos acordos de open innovation com startups, a empresa acompanha de perto o desenvolvimento de tecnologias e novos modelos de negócio, amplia sua capacidade de antecipar tendências e abre a mente para novas soluções, produtos, serviços e processos.

“Não estamos falando de uma competição entre grandes empresas contra pequenas empresas, mas de empresas rápidas contra empresas lentas. Por esse motivo, as corporações consolidadas têm se aproximado das startups para que juntas possam testar novas hipóteses, ou experimentar novos modelos de negócio, com mais agilidade, flexibilidade e muitas vezes um menor custo”, destaca Gustavo Caetano, fundador da Sambatech, uma das empresas pioneiras na tecnologia de streaming.

Considerado pelo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) uma das mentes mais inovadoras do Brasil, o empreendedor avalia que este é um momento único no mercado, em que a necessidade de inovação passou a ser pré-requisito para qualquer empresa, de qualquer segmento, que queira continuar gerando valor aos seus clientes, na velocidade que eles demandam.

Em sintonia: a união entre empresas centenárias e startups 

A Basf, multinacional alemã do setor químico fundada em 1865, é um ótimo exemplo dos benefícios da união entre corporações centenárias e a nova mentalidade das startups. Apoiando a inovação em vários setores – mantém programas de aceleração no agronegócio, plataforma de blockchain para escalar soluções de economia circular, entre outros – ela ocupa o 1° lugar no ranking de inovação da Indústria Química e está entre as top 5 (4° lugar) no ranking 100 Open Startups 2021.

ornela está sentada olha para frente e sorri

Ornella Nitardi é gerente de inovação aberta e ecossistemas digitais da Basf.

Só no ano passado, a empresa investiu globalmente mais de 2 bilhões de Euros em pesquisa e desenvolvimento com mais de 10 mil colaboradores dedicados à inovação no mundo. Na Basf, a cultura de inovação aberta se dá por meio de um forte envolvimento com o ecossistema que inclui startups, universidades, hubs, parceiros, entre outros. “Falando especificamente das startups, nosso relacionamento vai desde iniciativas de procura de tecnologias para questões específicas do negócio e dos seus clientes, até programas mais estruturados de aceleração, intraempreendedorismo e cocriação com clientes – que estão cada vez mais no centro de nossas ações. Também avaliamos oportunidades de investimento via Basf Venture Capital”, destaca a gerente de inovação aberta e ecossistemas digitais da Basf, Ornella Nitardi.

Segundo ela, a inovação aberta traz, além da agilidade na solução de questões reais do mercado, a possibilidade do trabalho colaborativo que tem desempenhado um papel-chave na mudança cultural na empresa. “Traz ainda a possibilidade de testar hipóteses de forma rápida para desenvolvermos soluções mais ágeis e com maior aderência às demandas do mercado.”

O que não quer dizer que o processo não seja repleto de desafios, pondera a executiva. “Um deles é a diferença em relação aos formatos tradicionais de contrato, complexidades que normalmente as startups não têm. Estamos conseguindo simplificar de maneira segura essas questões. Outro desafio foi engajar as equipes e as nossas diversas áreas de negócios nessa jornada. Temos várias iniciativas em andamento e um catalisador nesse processo foi o lançamento do hub de inovação onono (Centro de Experiências Científicas e Digitais da Basf) em 2019, criado para promover conexões transformadoras entre a empresa, os clientes e o ecossistema de inovação aberta. Entre as iniciativas do onono, há a Central de Startups, criada para agilizar o processo de encontrar, em um único lugar, mais possibilidades de empresas adequadas para apoiar na solução de cada desafio da Basf e dos clientes. Atualmente, a nossa Central já conectou desafios de mais de 40 clientes com uma base de mais de 10 mil startups – e continuamos crescendo.”

Como diminuir os riscos da mudança de cultura?

Não é simples levar uma cultura disruptiva para o dia a dia de uma empresa tradicional – principalmente porque muitas das inovações mudam desde os produtos e serviços ao chão de fábrica. “Acredito que em uma relação entre startups e grandes empresas, os dois lados podem sair ganhando desde que as regras sejam claras desde o início”, destaca Gustavo Caetano. “As grandes ganham em agilidade e flexibilidade, e os pequenos podem ter acesso ao mercado, endosso de uma marca forte como parceiro, além da possibilidade de aprimorar sua governança corporativa.”

rodolfo está sentado em cima da mesa, olha para frente e sorri

Rodolfo Santos, é CEO do BMG Uptech.

Fundado em 1930, o Banco Bmg é hoje um dos líderes em inovação aberta no setor financeiro – a instituição figura em terceiro lugar no ranking 100 Open Startups 2021. Para Rodolfo Santos, CEO do Bmg Uptech, o principal ponto para diminuir os riscos da mudança de cultura é o alinhamento dentro da empresa. “Toda a corporação deve estar alinhada a esse processo, desde os acionistas até o estagiário. Ao longo do tempo, acompanhamos várias organizações perderem mercado por não ter a cultura de inovação alinhada e integrada às suas diretrizes. Um dos exemplos é a Kodak: a empresa desenvolveu a câmera digital, porém preferiu trancar essa inovação a sete chaves para que isso não impactasse o mercado de filmes fotográficos.”

Ele conta que, graças ao presidente do conselho do Bmg, Flávio Guimarães, “um jovem empreendedor de 93 anos”, o grupo sempre esteve muito atento ao empreendedorismo. Além do banco, todo o grupo investe em diversos ramos da economia, como logística, agronegócio, negócios imobiliários, entre outros. O mais recente deles, conta Santos, é o próprio Bmg UpTech, que nasceu de uma ideia de Guimarães, quando ele tinha 87 anos. O objetivo é investir e apoiar o empreendedorismo para garantir, além de retorno financeiro, o desenvolvimento de inovações para as empresas do grupo.

Segundo o executivo, é fundamental incentivar os funcionários a exercitarem a inovação, e não punir quando algo der errado. “Eles sabem, como ninguém, quais são as dores e problemas de dentro da empresa. Quando conseguimos estimular a criatividade das pessoas, os resultados são espetaculares. Outro ponto importante é fazer com que todos se sintam parte da solução, principalmente se o assunto for selecionar, no mercado, uma startup para resolver algum problema interno. Se essa nova solução ameaçar alguma área ou colaborador da empresa, o primeiro sentimento é o de autoproteção, ou seja, os profissionais são levados a tentar mostrar os pontos negativos da solução e, não, o lado positivo. Isso, em geral, faz com que a empresa não contrate ou invista na startup.”

Rodoldo Santos também sublinha a importância de incentivar uma cultura de testes, que entenda o erro como aprendizado. “Mas em geral o que ocorre é que, infelizmente, a cultura brasileira é muito avessa ao erro. Quando um profissional erra, ele acaba sendo demitido ou penalizado de alguma forma, e isso, muitas vezes, inibe a criatividade dos funcionários. Do lado da startup, a cultura de ‘tentativa e erro’ é o dia a dia do negócio, o que faz com que pessoas comuns consigam resultados extraordinários.”

O que as lideranças devem avaliar na inovação aberta?

adriana está de frente encostada em uma cadeira e sorri

Adriana Prates é CEO da Dasein e Conselheira AESC para as Américas.

Para a CEO da Dasein, Adriana Prates, quando falamos em inovação aberta é fundamental fazer uma reflexão sobre o compartilhamento de conhecimento. “É necessário rompermos com o modelo tradicional de que pesquisa e desenvolvimento precisam ser mantidos dentro da empresa e que as novas tecnologias só poderiam ser pensadas e implementadas por quem participa desse dia a dia. O processo de inovação deve estar aberto para a contribuição de diversos agentes de fora da organização, seja por meio de empresas, governos, universidades, centros de pesquisas e startups.”

“O mundo está mudando rapidamente e precisamos nos voltar mais para a criação de valor do que para a captura de valor. As empresas que forem mais inteligentes vão renunciar a algum controle e focar na produtividade e no ganho das soluções advindas de parcerias”, destaca Prates. Essa é, inclusive, a base do conceito Open Innovation, termo criado pelo economista e professor Henry Chesbrough, que é diretor executivo do Centro de Inovação Aberta da Universidade de Berkeley e chairman do Centro de Open Innovation Brasil.

Antes da tomada de decisão, a executiva orienta uma verdadeira imersão no universo da inovação (veja mais nos quados em destaque). “Busque por benchmarkings, converse com especialistas e empresas que estão atuando nesse modelo há mais tempo. Faça uma consultoria completa dos modelos, não somente no Brasil, mas no mundo todo. Estude os casos de sucesso e os que fracassaram. É dessa forma que as lideranças poderão atingir uma massa crítica para auxiliar no processo decisório”, orienta. “Só com muita informação e senso crítico que as empresas podem transformar em aliada uma startup que poderia ser sua concorrente ou garantir que ela não trabalhe com quem já faz parte da sua concorrência.”

O papel dos gestores no ambiente de inovação

De acordo com a coordenadora de operações da Dasein, Mariele Zapula, para criar um ambiente favorável à inovação é necessário investir não só em comunicação e treinamento, mas também em capacitações focadas em competências como empreendedorismo, metodologias ágeis e o desenvolvimento de habilidades interpessoais como a flexibilidade, resiliência e trabalho em equipe. “Se fosse para dizer em poucas palavras o que é necessário para minimizar qualquer embate no ambiente corporativo, citaria ter flexibilidade e adaptabilidade para o novo, para o diferente.”

mariele está sentada, olha para frente e sorri discretamente

Mariele Zapula é coordenadora de Operações da Dasein.

Para além dos gestores, o time deve estar aberto a se movimentar alcançado a alta performance, mudando suas percepções. “É preciso estar preparado para ouvir e dialogar de forma clara, colocando seu ponto de vista e entendendo o ponto de vista do outro. As lideranças devem ser fonte de inspiração, criatividade e empatia, estando abertas a entender e trabalhar as diferenças culturais, usando essa oportunidade para demonstrar aos colaboradores o quanto se pode aprender e somar com pessoas diferentes, tornando esse momento transformador.”

“Acredito ainda que o know how e a interligação do conhecimento dos diferentes parceiros e setores é fundamental para que o trabalho tenha maior fluidez, gerando novas perspectivas. É interessante criar times mistos, que se complementem, buscando juntos gerar um combinado de ideias e raciocínios agregadores. Tenho um pensamento que levo comigo para o ambiente profissional e pessoal, de que sempre há algo novo a descobrir, e isso vale mesmo para aquelas empresas consolidadas no mercado. É sempre bom compartilhar, conhecer e aprender.”

Inovação aberta na prática

Construir projetos conjuntos com startups é uma das possibilidades de praticar inovação aberta. Além dele, Adriana Prates traz as seguintes orientações:

Desafios ou hackathons para equipes internas ou externas desenvolverem protótipos para sua empresa;

Programas de ideias para incentivar negócios que estão começando transformando-os em parceiros da sua empresa. Podem ser limitados a colaboradores internos ou aberto a todo o networking da empresa (clientes, fornecedores e outros parceiros);

Criação de incubadoras ou programas de aceleração dentro da própria empresa, incentivando o surgimento de spin-offs criados pelos colaboradores, ajudando-os a crescer e ao mesmo tempo mantendo-os dentro do seu ecossistema.

 

Reflexões para as lideranças

O que deve ser prioridade quando falamos em inovação aberta? Adriana Prates compartilha dicas voltadas às lideranças.

Avalie as prioridades. Se ainda não se cumpre o básico como a diversidade e inclusão, como poderá ter sucesso em adotar modelos arrojados como open innovation? É preciso evitar os modismos. Assegure-se que a empresa esteja preparada para esse salto ao compreender com clareza os principais objetivos e prioridades.

Some forças à P&D. Se a empresa já tem a área de P&D estruturada e sente que não avança, poderá cruzar a fronteira e adotar a mentalidade do open innovation. Seguramente a combinação de ideias internas e externas é fundamental para o desenvolvimento de novas tecnologias, processos e produtos.

Construa as melhores parcerias. Será necessário compreender quais parcerias precisarão ser adotadas. É preciso considerar a cooperação com institutos de pesquisa, universidades, consumidores, concorrentes e fornecedores. Quanto maior o número de pessoas com o mesmo objetivo estiver sendo envolvido, maiores as trocas que serão realizadas.

Veja exemplos da pandemia. As parcerias criadas devido a pandemia podem ilustrar bem como a cooperação entre pessoas de diferentes áreas e várias partes do mundo conseguiram gerar soluções. A vacina, por exemplo, se fosse criada pelo método tradicional levaria pelo menos uma década.

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