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Dasein convida: Academia Nacional de Engenharia

A engenharia como oportunidade de inovação na agricultura, petróleo e mineração

 

Novo livro “Engenharia, Inovação e Desenvolvimento Sustentável” aborda a relação da engenharia com importantes setores da economia brasileira e traz análises sobre oportunidades e desafios da área   

 

Pensar a engenharia – tanto em sua história nos últimos 30 anos, como na sua conexão com a inovação e geração de oportunidades  –  é o ponto de partida do livro “Engenharia, Inovação e Desenvolvimento Sustentável”, cujo lançamento ocorre no dia 25 de abril de 2022 em evento realizado pelo Comitê de Inovação da Academia Nacional de Engenharia (ANE), na Escola de Guerra Naval, no Rio de Janeiro (RJ).

Organizado pelos professores da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e membros titulares da ANE, José Roberto Castilho Piqueira e Laurindo de Salles Leal Filho, a publicação aborda oportunidades de inovação em três setores robustos da economia brasileira: agricultura, petróleo e mineração – áreas cujas demandas de insumos e serviços podem alavancar outros setores da economia, sobretudo aqueles ligados à Indústria 4.0.

A seguir, compartilhamos, com exclusividade, o prefácio do livro, assinado por Francis Bogossian, engenheiro, professor, empresário e presidente da Academia Nacional de Engenharia.

Prefácio do livro “Engenharia, Inovação e Desenvolvimento Sustentável”

No ano de 1991, acreditando que seria um serviço à Nação Brasileira a existência de uma instituição que fosse capaz de contribuir para seu desenvolvimento econômico e social baseado em uma engenharia dinâmica e avançada, fundamentada na Ciência e praticada segundo os mais elevados padrões de ética e civismo; um grupo de engenheiros criou a Academia Nacional de Engenharia (ANE), por acreditarmos ser o protagonismo tecnológico do Brasil um dos pilares de sua soberania, bem-estar e segurança. A serviço desses princípios, a Academia congrega profissionais reconhecidos pela competência, integridade e ética, organizados como um centro de estudos de instância superior à disposição da Sociedade, dedicando-se a tratar e oferecer soluções para grandes e complexas questões de interesse do Brasil, tendo como tema central a engenharia.

Ao longo do ano de 2021, dentro da comemoração dos 30 anos de existência da ANE, seu Comitê de Inovação promoveu uma série de debates e seminários que tiveram como ponto central a temática da engenharia, inovação e o desenvolvimento sustentável, tendo como fio condutor as oportunidades e desafios postos pelo século XXI. Desta iniciativa resultou este livro, cujos três primeiros capítulos buscam abordar setores robustos da economia brasileira, como agricultura (Capítulo 1), extração de petróleo (Capítulo 2) e mineração (Capítulo 3) que, certamente, precisam permanecer na fronteira do estado da arte para manter sua pujança e competitividade. A demanda de serviços e insumos desses setores robustos da economia podem favorecer o desenvolvimento da indústria brasileira. Ferramentas trazidas pela Indústria 4.0 podem se aliar à Engenharia da Complexidade (Capítulo 4) para gerar novos produtos e serviços (Capítulo 5) capazes de alavancar a criação de startups de base tecnológica (Capítulo 6). Embora o Brasil não esteja mal posicionado no ranking mundial dos países geradores de conhecimento (número de publicações em revistas indexadas), ocupamos posição muito modesta no ranking da inovação. Considerando como paradigma o Modelo da Tríplice Hélice (parceria entre empresas, governo e universidades) para promover a inovação tecnológica, salientamos o papel estratégico desempenhado pela EMBRAPII (Capítulo 7), assim como apresentamos um caso de sucesso baseado nesse modelo (Capítulo 8).

Entendendo que o desenvolvimento sustentável da indústria brasileira transcende os limites da engenharia e da inovação, concluímos este livro com duas contribuições oriundas da economia política. Partindo da premissa de que não basta à indústria brasileira gerar produtos e serviços de mais alto valor agregado sem que seu o preço seja competitivo no mercado internacional, temos no Capítulo 9 um contraponto ao pensamento neoliberal, provocando saudáveis reflexões sob a importância de políticas de estado para fomentar o desenvolvimento industrial do Brasil. Acreditando que uma indústria inovadora, competitiva e plenamente inserida no “zeitgeist” do século XXI demanda um perfil de liderança comprometido com o futuro do planeta e o bem-estar coletivo, fechamos o livro com o Capítulo 10.

No ano de criação da ANE (1991), o Mundo assistiu ao fim da Guerra Fria e se preparava para a célebre Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente (ECO-92), enquanto a economia brasileira experimentava desemprego crescente frente ao descontrole inflacionário, instabilidade política e o desmonte de um pujante parque industrial, bravamente construído durante 50 anos de políticas desenvolvimentistas. Nessa época, o pensamento econômico neoliberal já havia se tornado hegemônico no “mainstream” intelectual da nossa sociedade e deixado ao mercado a tarefa de se autorregular, o que levou o mundo ao terrível colapso do sistema financeiro mundial em 2008, trazendo em seu rastro desemprego e falta de esperança. Na contramão da tendência mundial à desindustrialização, vimos o notável crescimento econômico da China, que bem soube promover sua indústria com crescente sofisticação tecnológica, permitindo o alvorecer de uma nova superpotência. Trinta anos após a criação da ANE, em 2021, um mundo assolado por uma pandemia sem precedentes nos últimos 100 anos se mostra ainda mais complexo, desafiador e desigual do que fora em 1991. Assistimos atônitos aos efeitos dramáticos de transformações climáticas globais que clamam pelo desenvolvimento econômico sustentável. Já no século XXI, uma ampla gama de novas tecnologias trazidas pela Indústria 4.0 tem permitido de modo crescente a fusão do mundo físico, biológico e digital, modificando tradicionais sistemas de produção, consumo, transporte, educação e lazer. Muitas destas grandes transformações materiais experimentadas pela humanidade nos últimos 30 anos tiveram como protagonista a engenharia que, parafraseando o poema que constitui o posfácio deste livro, foi “cúmplice da inovação na magia da arte do como-fazer”. De fato, com recursos, gerenciamento e árduo trabalho, a engenharia é capaz de prover soluções técnicas para as mazelas materiais do mundo, mas nunca poderá prescindir de líderes íntegros, idealistas e ousados, mas também lúcidos e responsáveis para apontar o caminho capaz de levar ao progresso e bem-estar da humanidade.

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