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Inspire-se com Stela Campos, editora de carreiras do Valor

O jornalista, assim como todo profissional, tem que ter a humildade de ouvir e a sensatez de transmitir o conhecimento adquirido da melhor maneira possível.

Olhar e ouvidos atentos a cada nova experiência, conversa ou reportagem. A jornalista Stela Campos, editora de carreiras do jornal Valor Econômico, está no veículo desde a sua fundação, em 2000. Considerada uma das jornalistas mais respeitadas do Brasil, ela faz questão de cultivar sua avidez pelo aprendizado. Está sempre aberta a conhecimentos que surgem nas pequenas coisas, como um simples bate-papo. Humildade, sensibilidade para compreender o outro, honestidade ao relatar fatos. Esses são alguns valores, ou melhor, escolhas que ela fez para sua vida. Para saber mais sobre suas referências profissionais e pessoais, acompanhe entrevista exclusiva:

A circulação de informações foi imensamente ampliada com a internet e redes sociais. O lado positivo: democratização do conteúdo, mais vozes são ouvidas. No entanto, a falta de apuração criou vários problemas, entre eles a fake news. Diante dessa realidade, qual o papel da imprensa, qual o papel do repórter?

Mais do que nunca, cabe aos jornalistas exercer o seu papel genuíno. O rigor na apuração, a clareza na mensagem e a isenção devem prevalecer sob qualquer circunstância. Quanto mais o mundo é inundado por uma quantidade infinita de informações, a curadoria do jornalista capaz de separar o joio do trigo, de checar o que é verdade e o que é mentira, tende a ser mais valorizada.

Tentando se adequar aos novos formatos de comunicação, muitos veículos tradicionais (impressos ou não) perderam em profundidade, vários nem fazem jornalismo mais. São poucos os que promovem uma apuração bem feita, que investem em pesquisa, que investigam a fundo os fatos, que enviam repórteres para conversar com as pessoas, para visitarem locais. Como e porque devemos garantir a sobrevivência desse formato?

De uma certa forma, a eleição de Donald Trump, nos Estados Unidos, levou a um ressurgimento do jornalismo investigativo. Muitos jornais recontrataram jornalistas experientes para levantar histórias e dados que colocassem à prova o novo governo. O jornalismo digital tende a ser mais rápido, sucinto, talvez esse modelo represente o grosso do que é produzido on-line, mas sempre existirá espaço para análises mais aprofundadas. Quanto mais mergulhamos em um mundo bombardeado por fake new, mais as pessoas vão querer ler os veículos e os jornalistas nos quais confiam.

Em relação ao seu próprio desenvolvimento, quais são suas fontes de informação? Você busca orientação ou mentoria de profissionais? Recorre a outros métodos que gostaria de compartilhar?

Hoje é possível ter todo tipo de fonte de informação à nossa disposição, diferente de quando comecei na profissão. Isso pode dispersar muito a nossa atenção. Tenho fontes com as quais falo há muitos anos, nas quais confio e acredito e estou sempre em busca de outras novas. Estou sempre aprendendo com cada matéria, coluna ou entrevista que faço. O bonito do jornalismo é justamente poder fazer essa imersão em assuntos diferentes e estar aberto para aprender sempre. Com o tempo, acho que a maior lição que tive é que todo mundo tem algo a dizer que pode ser útil. O jornalista, assim como todo profissional, tem que ter a humildade de ouvir e a sensatez de transmitir o conhecimento adquirido da melhor maneira possível. Mas é muito importante ouvir o que as pessoas têm a dizer sobre o assunto que elas dominam e não ser presunçoso e achar que entende um pouco de tudo.

Com um trabalho exemplar, você é uma inspiração para jornalistas e outros profissionais. Mas gostaríamos de saber quem te inspira?

Não tenho uma fonte de inspiração única, mas na minha área gosto muito do trabalho que é feito pelos jornalistas do Financial Times, da Fast Company, do Wall Street Journal, entre outros veículos especializados. Sou muito fã da Lucy Kellaway, que publicamos no Valor durante muitos anos e que agora decidiu ser professora de matemática. Acho que é importante o jornalista hoje ler muito, acompanhar sites, redes sociais profissionais e estar atento às mudanças nas tendências, que acontecem cada vez mais rápido. É essencial manter-se curioso e aberto para aprender sempre.

Na sua trajetória profissional, alguma referência cultural (livro, filme, música, um esporte etc) a influenciou de forma marcante? Se sim, cite a obra e nos diga o porque.

Sou uma pessoa muito ligada ao mundo das artes, especificamente à música. Acredito que todo conhecimento adquirido nessa área, praticando ou escutando, acaba se refletindo no meu trabalho como jornalista. O olhar mais humano, a sensibilidade para entender universos tão distintos foi adquirida ao longo do tempo transitando entre esses dois mundos. Seria muito difícil indicar uma obra apenas, porque tenho um gosto bastante diversificado. Acho que o importante de incluir na sua rotina a arte, o esporte ou qualquer atividade diferente da sua principal, é que ela te tira da zona de conforto e possibilita conhecer pessoas com novos perfis, além de uma outra maneira de se expressar. Isso ajuda a ampliar o universo do próprio trabalho, estimula a criatividade, mesmo que você nem se dê conta disso.

Gostaria de compartilhar com nossos leitores algum ensinamento marcante para você, algo sempre presente na sua memória?

Guardo experiências no jornalismo das mais diversas. Já fui repórter de rádio, de televisão, locutora, trabalhei em revista, jornal e aprendi que a essência do que fazemos não muda, apenas a forma da entrega. O desafio é diferente em cada tipo de veículo. Hoje, vejo como tudo o que vivi em lugares tão diversos me ajudou a ser a profissional que sou hoje. Me sinto feliz por nunca ter dito não para uma proposta diferente. Até hoje gosto de executar projetos novos e uma coisa boa de ser jornalista é que um dia nunca vai ser exatamente igual ao outro, isso porque as histórias mudam e a gente precisa encontrar sempre uma forma atraente de contá-las.

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