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Atitude é o comportamento-chave para fazer a diferença

Mutante, a dinâmica social e dos mercados reconfigura-se a todo tempo, assim como as exigências feitas aos profissionais e empresas. Qualificações conquistadas após anos de dedicação, experiências práticas ou títulos internacionais de excelência mostram-se necessários, mas não garantem um lugar ao sol. O diferencial, muitas vezes, está na postura da pessoa, nas atitudes tomadas pelas organizações.

Para a coach e consultora organizacional sênior da Dasein Executive Search, Maria Helena Scatolino, um bom ambiente corporativo é construído com relações funcionais respeitosas e atitudes positivas. “Nossas atitudes revelam o quanto podemos contribuir para a realização de um determinado objetivo. Para fazer a diferença no ambiente onde estamos inseridos é preciso que cada um busque o melhor de si, colocando em prática competências, habilidades e atitudes. São as nossas ações que escrevem a nossa história. Fazer a diferença está ao alcance de todos, só é preciso atitude para sair do lugar comum”.

A inquietude e vontade de questionar modelos estabelecidos muitas vezes guiam aqueles profissionais que fazem a diferença, como apontou pesquisa recente publicada na revista Forbes. Essas pessoas, de acordo com o estudo, sempre procuram novas maneiras de resolverem problemas, fazem boas perguntas, têm domínio da paciência, desenvolvem sua capacidade de pensar no outro e pedem conselhos e feedbacks de forma perene.

Scatolino destaca que as atitudes listadas no estudo de fato fazem a diferença e propiciam um importante papel na melhoria do ambiente de trabalho. Mas a especialista vai além e destaca outros comportamentos de profissionais que têm atitude:

Investem tempo em aprendizado

São pessoas curiosas, buscam sempre alternativas de ação e aceitam com facilidade novas ideias. Compartilham experiências com outros profissionais de sua área de atuação e investem no aprendizado contínuo no ambiente de trabalho. Aprofundam conhecimentos por meio de formações especializadas e aprendem coisas novas todos os dias, mantendo-se atualizadas;

São proativas

Tomam a iniciativa e oferecem soluções criativas e inovadoras. Antecipam-se diante das situações e possíveis problemas, contribuindo com seu ponto de vista junto à equipe, pares e superiores;

São resilientes

Têm persistência e agem com coragem diante das adversidades. Reconhecem que em sua trajetória haverá obstáculos a serem ultrapassados e que terão que refazer planos, procurar por novas rotas e estratégias. Encaram seus erros e dificuldades como oportunidade de aprendizado para novas escolhas e para o sucesso;

Sabem onde querem chegar e como fazer

Estabelecem metas e objetivos desafiadores, agindo com foco e determinação para alcançar o melhor resultado. Olham sempre para frente, comprometidas com seus objetivos e com suas entregas. Alinham o desenvolvimento de carreira com os objetivos pessoais, com as crenças e com os valores que são importantes para elas.

Empresas que fazem a diferença

Como já dizia o pai da administração moderna, o austríaco Peter Druker: “As pessoas, na verdade, precisam de uma causa. Elas precisam se sentir importantes para a empresa. Deve-se dar um significado para a permanência da pessoa na empresa”.

Para Maria Helena Scatolino, os talentos de uma organização são primordiais para o sucesso do negócio, o diferencial competitivo das empresas está nas pessoas. Por isso o líder é fundamental no processo de motivação desses profissionais, principalmente em momentos turbulentos como o atual, onde as pessoas precisam se empenhar para dar o melhor de si. “Isso garante não só a sobrevivência da empresa durante o período mais difícil da crise, mas também fomenta a retomada do crescimento, uma vez que o pior já tenha passado”, diz.

A coach sinaliza para a importância do apoio do profissional de recursos humanos, que, em seu papel estratégico, antecipa cenários e propõe ao gestor a utilização de uma consultoria externa que forneça as medidas necessárias para ter um time de profissionais engajado e motivado com as questões da organização. A especialista ressalta que hoje as atitudes mais adotadas por empresas de sucesso estão baseadas nas seguintes características:

Clima organizacional

Zelam e priorizam a manutenção de um ambiente de trabalho motivador, abrindo espaço para que os profissionais equilibrem vida pessoal e profissional;

Cultura permanente de desenvolvimento, desafios e inovação

Criam condições para que as pessoas exerçam o seu potencial, buscando novas formas de fazer mais e melhor para a evolução da empresa;

Planejamento estratégico global

Reconhecem, motivam e inspiram suas lideranças continuamente, estabelecendo um plano de carreira promissor. Levam em consideração que uma liderança eficaz influencia no desenvolvimento de competências e talentos e contribui com o bom clima organizacional;

Modelo de gestão de desempenho claro e estruturado

Privilegiam a meritocracia avaliando e relacionando as remunerações com suas entregas. Instituem remuneração fixa diferenciada, remuneração variável agressiva e um pacote de benefícios atrativo; entre outros.

Rodízios internos têm apresentado bons resultados

Outra atitude que as empresas estão enxergando para estimular o desenvolvimento de seus profissionais é investir em rodízios internos entre executivos sêniores. Segundo as organizações, o movimento tem ajudado na interação entre colaboradores com experiências distintas, retido talentos, aumentado a satisfação e a produtividade e reduzido custos.

Na visão de Maria Helena Scatolino, a iniciativa valoriza os talentos da empresa e gera ganhos para os dois lados, empresa e profissional. Os executivos, por exemplo, ampliam seu networking, adquirem maior competência para a tomada de decisão e aumentam sua vantagem competitiva ao aprender idiomas e culturas distintas. Ao mudar de função, de área ou mesmo de país, o profissional tende a desenvolver a capacidade de ser flexível durante a rotina de trabalho e se torna mais ativo e comprometido com as atividades desempenhadas dentro da empresa.

O resultado é um perfil profissional mais completo, com muitas habilidades desenvolvidas e experiências diversas. “Quando o executivo vislumbra oportunidades de carreira, de crescimento e assume projetos desafiadores, sente-se instigado a ir além. Motivado e engajado, percebe um sentido em seu trabalho, o que aumenta sua satisfação e sua contribuição para a organização”.

O intercâmbio entre profissionais também estimula a troca de conhecimentos, aumenta a qualificação, possibilita o contato com novas práticas e técnicas de trabalho, além de ampliar a compreensão sobre a estrutura, os valores e os serviços prestados pela organização. “As habilidades gerenciais são aperfeiçoadas, passando a liderar no sentido de garantir que as metas necessárias para o melhor resultado sejam atingidas, o que impacta diretamente na competitividade da empresa no mercado”, explica a coach.

Para o diretor da Dasein, Daniel Rezende, os programas de mobilidade são realmente uma ação acertada, no entanto precisam ser feitos de forma criteriosa e levar em conta vários aspectos internos e externos. Ele chama atenção, sobretudo, para as avaliações de desempenho e de potencial, bem como o interesse do executivo por áreas relacionadas com o plano futuro da empresa, sua capacidade de adaptação a uma nova realidade e ambiente de trabalho. “Se o processo envolver mudança de cidade, estado ou mesmo de país, deve-se levar em conta aspectos relacionados à cultura, e até mesmo questões familiares, pois nesse caso o interesse e expectativa da família é importante para o sucesso da mudança. Após aprovada a transição de cargo, é necessário também que seja feito um acompanhamento individual e personalizado do desenvolvimento e adaptação do profissional por meio de um processo de Onboarding. Essas atitudes são fundamentais para o profissional ser bem-sucedido e alcançar efetividade na nova posição”, sublinha o dirigente.

 

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