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Arte como caminho para transformar

O que é ser? Qual o seu lugar no mundo? Quais as suas possibilidades? Pensar na atual conjuntura global, nas perspectivas econômicas desanimadoras ou nas relações fraturadas entre pessoas e nações me remete a profundas questões existenciais outrora evocadas pelo termo alemão “Dasein”. É algo incômodo e ao mesmo tempo provocador, como a eterna busca por nós mesmos. Ao percorrer esse caminho, gostaria de compartilhar com vocês, leitores, que muitas vezes encontro na arte um aspecto regenerador.

Não é de hoje, aliás, que a Dasein mantém um diálogo com as mais variadas manifestações artísticas. É algo intimamente ligado à sensibilidade do nosso trabalho, ao nosso modus operandi. Está no jeito como enxergamos o outro, em nossos relacionamentos, influencia a nossa escuta, a nossa perspicácia e as nossas entregas. É como renovamos valores, expandimos o pensamento. Sempre acreditamos na potência da arte como algo capaz de despertar nas pessoas as suas possibilidades e a sua autenticidade, algo tão fundamental para uma vida plena.

Minha relação com a arte vem da infância, época em que trocava correspondências com a minha avó paterna, que morava em uma cidade distante. Percebi naquele momento o poder das palavras e como era bom brincar com elas. O tempo foi passando e a prosa das cartas transformou-se em poesia, maneira que encontrei para dar vazão a sentimentos e também à dor. A escrita me levou a explorar outros gêneros culturais como a música, a dança, o teatro… Mas, como acontece com muita gente, chegou uma hora que precisei colocar tudo em um balaio e iniciei, de maneira muito precoce, a vida executiva, trabalhando e estudando sem parar.

Os anos foram passando, a idade avançando e a experiência ficou acumulada. Comecei a notar que as pessoas no trabalho não tinham aquele viço, nem aquela grandeza. Muitos como eu deixavam de lado uma parte importante de si mesmos. Afinal, as prioridades aparecem, as responsabilidades aumentam. Não conseguia entender porque as pessoas eram tão tristes no trabalho. E em alguns momentos fui entristecendo também.

Se refletirmos sobre a etimologia da palavra arte, que deriva do latim – ars, artis -, ela representa a maneira de ser ou de agir, profissão, habilidade natural ou adquirida. Já na cultura greco-romana, arte possuía o sentido de ofício, de habilidade, estava ligada ao propósito de fazer, era concebida com base em um aspecto executivo e manual. Entretanto, acredito que em algum momento da revolução industrial o significado da arte foi fortemente decepado. Nos tornamos espécies de máquinas e como máquinas ofuscamos as nossas emoções. Mas sem emoções não somos pessoas, não criamos, não reproduzimos. Pelo contrário, diminuímos e deixamos de evoluir. A alma se torna pequena, ficamos automatizados, esperando pela sexta-feira para ter uma experiência de vida verdadeira.

Pensar nesse cenário me gerou um incômodo e a partir dessa sensação desconfortável refleti ainda mais e comecei a trazer de volta a leveza, a sensibilidade, o senso de realização que somente a arte pode nos trazer. Acredito que não devamos admitir mais a exclusão da beleza e do prazer no trabalho. A forma de trabalhar que conhecemos hoje está em rápida extinção e no lugar, imagino, surgirá algo muito especial. Porque a vida sem arte, sem paixão, é árida demais. É a arte que modifica o meu olhar sobre a realidade, sobre a vida, sobre o trabalho, e me dá a serenidade que poucos conseguem conquistar. Me faz ter uma posição diferente na forma de competir, de ganhar e de perder, porque essas coisas ocupam o espaço certo em minha vida e quando o trabalho não é tudo, ele tem tudo para melhor funcionar. É muito bom sentir o impacto que a arte produz em cada um de nós. Sou fascinada pelas variadas formas do talento se expressarem e vejo arte na forma de alguns profissionais se comportarem. Enfim, na minha concepção, a arte é, por excelência, o lugar de conhecimento, feitura e expressão.

Ninguém foi feito para ficar 10 horas em frente ao computador todos os dias. Nossa missão é despertar nas pessoas esses dons que foram ofuscados por outras prioridades e partirmos do princípio que nunca é tarde para se fazer isso. Empresas e pessoas devem entender que existem maneiras diferentes e sensíveis de transcender-se, de reinventar-se. Executivos bem-sucedidos sempre compõem a roda da vida deles, com aspectos e estímulos ligados aos dons que têm, seja na culinária, no humor, na música, a arte faz sentir que existe vida naquela pessoa. Tanto de forma ativa, fazendo arte, como sensorial, usufruindo de tudo que os sentidos permitem que alguém possa sentir. Buscamos que empresas e seus executivos percebam que existem maneiras diferentes e sensíveis de transcender-se, de reinventar-se. Mas é preciso despertar um novo olhar e para isso estamos ali para conduzi-los na identificação de novas respostas.

O indivíduo é composto de várias facetas, é um ser de possibilidades. Não acreditamos que a existência baseada em um único aspecto da vida pode fazer alguém feliz. E quando estamos felizes, o resultado vem com facilidade, com inovação, com motivação. É como dizia o admirável poeta Fernando Pessoa “A ciência descreve as coisas como são; a arte, como são sentidas, como se sente que são”.

Por: Adriana Prates, presidente da Dasein

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