Liderar com confiança
Nesta conversa com o headhunter Niklas Gustafsson, líder da EMA Partners Finlândia, abordamos a crescente valorização da confiança na era digital.
Não há fronteiras para o digital. Barreiras de idioma, cultura ou tempo são facilmente dissolvidas. Profissionais iniciam conversas, contratações, fecham negócios. Equipes trabalham em sintonia, apesar dos milhares de quilômetros que as separam. Na base dessas relações, um ativo invisível, mas altamente precioso: a confiança. Para nos trazer um panorama global sobre a importância da confiança nas empresas, convidamos o porta-voz da EMA Partners Finlândia, Niklas Gustafsson.
Na era digital, a confiança emerge como um dos principais valores na relação entre pessoas e empresas. É a confiança que garante credibilidade, influencia diretamente nas decisões dos consumidores, nas decisões do mercado/investidores e na atração de talentos. E a confiança começa de dentro, da cultura organizacional. Como os líderes podem garantir ou construir uma cultura baseada na confiança?

Niklas Gustafsson é líder da EMA Partners Finlândia.
Acredito que a confiança é construída ao longo do tempo por meio de ações consistentes, respeito e cuidado com as pessoas, o que envolve comunicação aberta, honesta e consistente. Entender as necessidades e expectativas das partes interessadas e, ao mesmo tempo, fazer um alinhamento com os objetivos do negócio é outro ponto fundamental. É a partir de relacionamentos fortes que as organizações podem obter o apoio dos colaboradores, bem como consolidar sua reputação e impulsionar o sucesso a longo prazo.
Como os líderes podem então criar confiança dentro da organização? Acredito que uma das ferramentas mais poderosas é liderar pelo exemplo. Quando os líderes praticam os valores que pregam é mais provável que os funcionários acreditem e o respeitem. A confiança aumenta quando os líderes são transparentes sobre desafios e decisões, quando partilham abertamente informações positivas e negativas e evitam agendas ocultas. Quando preocupam-se, verdadeiramente, com as pessoas, investindo em seu bem-estar, proporcionando oportunidades de crescimento e desenvolvimento. Embora liderar pelo exemplo, na minha opinião, seja uma das ferramentas mais poderosas, funciona melhor quando combinado com integridade, transparência e empatia consistentes.
Falando agora da percepção externa sobre o negócio: a confiança tem menos a ver com o que a empresa diz sobre si mesma e mais como as pessoas e o mercado a percebe. Nesse aspecto, qual é o papel do ESG? Investir em práticas responsáveis é a melhor forma de gerar confiança pública?
Diria que a responsabilidade ambiental e social é um caminho, não o único. A base para construir confiança é o comportamento ético, a transparência, o envolvimento. A transparência nas operações comerciais e a comunicação clara também são cruciais para construir a confiança do público. Além disso, fornecer consistentemente produtos e serviços de alta qualidade, demonstrando responsabilidade quando surgem problemas fortalece ainda mais a confiança. O ESG é, sem dúvidas, uma das ferramentas mais importantes nessa relação e funciona ainda melhor quando combinado com responsabilidade corporativa e liderança ética.
De acordo com o relatório Global Leadership Forecast, apenas 46% dos líderes confiam que os seus gestores diretos farão a coisa certa. E apenas um em cada três funcionários confia nos líderes seniores. Para as empresas que estão enfrentando esse problema, como reverter a situação?
A baixa confiança na liderança afeta o moral, o envolvimento da equipe e o desempenho dos negócios. A reconstrução da confiança nos níveis de gestão e de liderança superior é crucial para reverter esta situação. Há muitas perspectivas sobre como esse problema pode ser resolvido, mas como ponto de partida, recomendo que a empresa se concentre em alguns pontos chave:
Primeiro, os líderes devem comunicar aberta e frequentemente sobre os objetivos, decisões e desafios da empresa. Em segundo lugar, deve sempre haver honestidade em seus atos, fazer a coisa certa, mesmo em tempos difíceis. Por último, mas não menos importante, reforço o que disse na primeira questão dessa entrevista: as pessoas confiam nos líderes que praticam o que dizem, portanto eles devem demonstrar os comportamentos que esperam. Essas abordagens têm o potencial de gerar um grande impacto em muitos desafios e operações da organização.
É importante pensar que os problemas raramente são genéricos, portanto cabe à empresa identificar como resolvê-los em seu ambiente específico.