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Carreira executiva com o CEO da maior mina de turmalina do mundo

“Atuar globalmente mantendo a força da nossa origem”

É na pequena São José da Safira, em Minas Gerais, que está a maior mina de turmalinas do mundo: a Mina do Cruzeiro. Reconhecida não só pela raridade e exuberância de suas pedras, mas pelos métodos sustentáveis que guiam a extração, o trabalho vem ganhando as principais vitrines internacionais: recentemente suas preciosidades fizeram parte da coleção pioneira “Conscious Curation”, exibida na Bergdorf Goodman, em Nova York. Para contar sobre essa história inspiradora, convidamos o CEO da Mina do Cruzeiro, Douglas Neves.

A história da Mina do Cruzeiro começa em 1940 e tem como sua maior marca a gestão da família Neves, a partir de 1980. Hoje, é reconhecida como a maior mina de turmalina de origem responsável do mundo. Fazendo uma retrospectiva dessa caminhada, quais foram as maiores conquistas e os erros que mais os ensinaram?

Douglas Neves é CEO da Mina do Cruzeiro, a maior mina de turmalinas do mundo. Foto: Nitro

A maior conquista histórica foi a decisão ousada do meu pai, José Neves, e do meu tio, Antônio Neves, que investiram todas as suas economias para adquirir a mina em 1982, fazendo a transição de mineradores artesanais para proprietários. No meu caso, o maior desafio e também a maior vitória foi assumir e recuperar a operação após a tragédia familiar de 1992, que levou meu pai e meu tio, conduzindo o negócio a um novo ciclo de prosperidade a partir de 1994.

No campo produtivo, a descoberta de um caldeirão lendário, o assim denominado Legend Pocket em 2012, que gerou quase duas toneladas de rubelita, permanece como um marco extraordinário. Mais recentemente, a consolidação do modelo Mine-to-Market, integrando verticalmente a extração e toda a cadeia de lapidação, garantiu competitividade, maior controle da qualidade e perenidade ao negócio.

O principal aprendizado foi compreender que, embora sempre tivéssemos boas práticas operacionais, era essencial estruturá-las, medir resultados e documentar processos, incorporando uma governança moderna, alinhada a padrões globais e à lógica de criação de valor contemporânea. Outro passo estratégico foi reforçar a identidade da marca com o nome Mina do Cruzeiro, que traduz nossa origem, tradição e reputação, permitindo posicionar-nos de forma mais sólida no mercado internacional.

Ao mesmo tempo que a Mina do Cruzeiro tem um imenso cuidado com a preservação de sua história e raízes, tem um olhar aguçado para um futuro que é global. Como se sabe, expandir internacionalmente mantendo a essência é algo complexo. A quais fatores o senhor atribui esse sucesso?

Nosso avanço internacional, sem perder a identidade mineira, se apoia na filosofia “glocal”: atuar globalmente mantendo a força da nossa origem. O alicerce dessa estratégia é o modelo Mine-to-Market, que assegura rastreabilidade integral, controle direto da cadeia e relacionamento próximo com designers e clientes.

Ao oferecer a jornada completa da gema – da extração ao produto final – quebramos a lógica tradicional da exportação de commodities e mantemos no Brasil parte relevante do valor agregado, especialmente na lapidação. Trabalhar diretamente com designers que escolhem e valorizam nossas gemas é uma grande fonte de orgulho.

A Mina do Cruzeiro é a maior mina de turmalinas do mundo. Foto: Nitro

A extração responsável é um grande diferencial da Mina do Cruzeiro – suas operações sustentáveis e o pioneirismo na rastreabilidade são reconhecidos mundialmente. De que maneira esses exemplos podem inspirar ações mais sustentáveis ao setor de pedras preciosas, ainda marcado pela extração irregular e nociva?

Pelas suas características corporativas e operacionais, a Mina do Cruzeiro tem a real condição de entregar, de forma exemplar, um fornecimento justo e eficiente de pedras preciosas para as cadeias produtivas subsequentes, voltado às empresas que de fato tem essa demanda no seu negócio, em um setor que ainda carece de padrões claros.

Mais do que cumprir expectativas externas, buscamos um modelo operacional que gere impacto real, com resultados verificáveis. São eles:

  • Mineração de baixo impacto: operamos com mineração subterrânea e método cut-and-fill, que reaproveita a maior parte dos rejeitos na estabilização dos túneis, reduzindo significativamente o descarte externo.
  • Gestão ambiental eficiente: utilizamos energia 100% renovável e madeira de eucalipto de cultivo próprio para escoramento, preservando a vegetação nativa.
  • Desenvolvimento local: priorizamos mão de obra local e apoiamos iniciativas comunitárias, como o fornecimento de água para a Vila do Cruzeiro e projetos socioeducativos.
  • Rastreabilidade e dados: emitimos Certificados de Origem e mantemos sistemas de rastreamento que documentam cada etapa da cadeia, permitindo auditoria, transparência e conformidade com padrões globais contemporâneos – pilares centrais da visão ESG 2.0.

Ao lado da designer capixaba Carolina Neves, a Mina do Cruzeiro fez parte de um projeto pioneiro: levou uma vitrine de alta joalheria sustentável à renomada Bergdorf Goodman, no coração da Quinta Avenida, em Nova York. Como se deu essa iniciativa? Ela pode ser considerada um marco da sustentabilidade na alta joalheria?

A apresentação de joias com nossas turmalinas na Bergdorf Goodman, em Nova York, representou um marco estratégico. Em 2024, peças de designers parceiros – Carolina Neves, Fiszman Jewel e Verachi – integraram a coleção Conscious Curation, reforçando que a origem comprovada e a gestão responsável da cadeia já são fatores determinantes no mercado de alta joalheria.

Essa visibilidade em um dos espaços mais prestigiados do luxo mundial confirmou que nossa abordagem -focada em rastreabilidade, controle direto da cadeia e produção qualificada no Brasil – cria valor tangível para todos os elos do mercado.

Qualidade, governança, humildade e respeito pelas pessoas e pelo meio ambiente são marcas registradas da gestão da família Neves, agora representada pela terceira geração. Assim como o senhor inspira muitos executivos e empresários, quem o inspirou ao longo da sua trajetória?

Minha principal inspiração vem da história da minha família, especialmente dos pioneiros José e Antônio Neves, cuja coragem em adquirir a mina deu início a tudo. Assumir a liderança em 1992 foi, para mim, uma forma de honrar esse legado.

Nossos valores de gestão – ética, confiança, conhecimento e parceria – orientam cada decisão. Acredito que a verdadeira motivação está em demonstrar que a Mina do Cruzeiro pode ser referência em mineração responsável e de alta performance, convertendo talento, conhecimento e recursos brasileiros em valor real no próprio país. É a convicção de sempre optar pelo caminho correto, com visão de longo prazo e impacto positivo verificável.

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