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Carreira executiva: Ana Sanches

“As minhas maiores conquistas estão ligadas às pessoas”

 

Ana Sanches, a primeira presidente da Anglo American no Brasil, fala à Dnews sobre o cenário do setor mineral, desafios e conquistas da sua carreira

 

Não faz tanto tempo, a mineração era uma atividade exclusivamente masculina – até 1988 as mulheres eram proibidas de atuarem no subsolo brasileiro. Quase 40 anos se passaram e, hoje, cerca de 22% da força de trabalho do setor é feminina. Na alta liderança, o índice sobe para 25% em cargos C-level (dados do relatório Women in Mining Brasil). Felizmente, esses números tendem a crescer ao se considerar o exemplo de Ana Sanches, a primeira presidente da Anglo American no Brasil. Premiada como uma das líderes mais influentes da mineração global, ela simboliza força, eficiência, inclusão e transformação do setor mineral: mensagem que inspira milhares de mulheres e certamente irá inspirar as próximas gerações. Conheça, nesta entrevista, mais sobre a carreira de Sanches.

Ana Sanches é a primeira mulher a presidir a Anglo American no Brasil. Foto: Jana Vieras

Além de primeira CEO da Anglo American no Brasil, você preside o Conselho Diretor da principal entidade do setor, o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). De que maneira a sua conquista em ambos os postos pode contribuir para a representatividade feminina na mineração? É um gesto que atrai mais talentos femininos para a mineração?

Acredito que a representatividade abre portas. Ao ver que uma mulher ocupa essas posições de liderança, em um setor que é historicamente masculino, outras mulheres podem se inspirar e acreditar que aquilo também é possível para elas. Nós temos feito importantes avanços em relação à inclusão e à diversidade no setor mineral, que vêm consolidando a participação feminina em todos os níveis das organizações e áreas de atuação. O fato de uma mulher assumir, pela primeira vez, o cargo de presidente da Anglo American no Brasil e de presidente do Conselho Diretor do Ibram é parte dessa jornada e tem um efeito simbólico muito importante. Cada vez mais, a mineração precisa de talentos diversos para lidar com desafios complexos. Por isso, a representatividade feminina não é apenas uma pauta social, é uma questão estratégica. Quanto mais gente diversa sentada à mesa, participando das discussões e com poder de decisão, melhores serão os resultados.

A mineração é uma das mais valiosas indústrias para a economia brasileira. No entanto, carrega um estigma em relação à sua imagem. Como as lideranças podem contribuir para a superação desse desafio?

As lideranças têm um papel central nisso, começando pelo exemplo. Não dá para falar em responsabilidade, transparência e governança sem que esses fatores sejam, de fato, aplicados no dia a dia das empresas. O comportamento coerente é o elemento fundamental para construir confiança e boa reputação junto às pessoas. Enquanto setor, também precisamos estar abertos e ouvir mais. Ouvir as comunidades, os empregados, os governos, os fornecedores, os críticos… Assim desenvolveremos uma mineração que coloque as pessoas no centro das decisões.

Relacionada à pergunta anterior, a mineração também é essencial para a transição energética. Nesse sentido, quais as principais oportunidades que o setor pode gerar para o país, e, claro, para a sociedade?

A grande janela de oportunidades para o setor mineral brasileiro está relacionada à transição energética. Isso porque não há fonte de energia limpa que não demande minerais para a sua existência. A busca por uma economia de baixo carbono vai aumentar a demanda por minerais críticos, o que pode colocar o Brasil em uma posição privilegiada. Mas, de novo, isso só fará sentido se vier acompanhado de benefícios reais para a sociedade, com ganhos em educação, saúde, meio ambiente, infraestrutura, e desenvolvimento sustentável dos territórios.

Sua carreira foi iniciada na área de auditoria, posteriormente foi controller de operações. Em 2012 foi para a Anglo American, onde conquistou o mais alto posto. Fazendo uma retrospectiva na sua carreira, quais foram suas maiores conquistas e, no caminho oposto, os erros que mais a ensinaram?

Quando olho para trás, vejo uma trajetória construída passo a passo, muito mais baseada em aprendizado do que em planos rígidos. Minhas maiores conquistas estão ligadas às pessoas: times que se desenvolveram, lideranças que se formaram, ambientes que se transformaram de forma segura, responsável e diversa. Já os erros fazem parte de qualquer jornada e aconteceram naturalmente ao longo do caminho. Com eles aprendi a ouvir mais, a trazer as pessoas para perto e a construir soluções de forma colaborativa. No fim, acredito que são essas experiências que nos ajudam a evoluir, entender que a vulnerabilidade faz parte da liderança e que somente conseguimos alcançar sonhos grandes mantendo os pés no chão se crescermos ao longo do caminho.

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