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Radar executive search: renovar é preciso

Um novo eu

Em um processo complexo de construção de novas profissões, como jovens e executivos seniores podem se manter relevantes?

Poucas certezas temos na vida, mas uma delas, sem dúvida, é a necessidade de estarmos preparados para mudanças. Elas são inevitáveis e prova disso tem sido o ano de 2020. Estivemos, a todo momento, frente a grandes transformações que estão moldando nossas vidas e principalmente nossa forma de pensar e de nos posicionar no mercado de trabalho.

De acordo com o relatório anual “The Future of Jobs”, recém-divulgado pelo Fórum Econômico Mundial (WEF), a pandemia de Covid-19 está acelerando os processos de mudança e adoção de novas tecnologias em várias frentes, como a automação de processos – o que deve levar ao fechamento de milhões de vagas. Das grandes empresas ouvidas para esse estudo, mais de 40% planejam reduzir sua força de trabalho devido à integração de tecnologias. A estimativa contida no relatório é que, até 2025, haverá uma guinada na divisão de tarefas entre humanos e máquinas e isso vai afetar todo o cenário do trabalho como conhecemos hoje.

Nesse contexto, você como um executivo sênior ou até mesmo um jovem profissional que está ingressando no mercado, deve estar se perguntando: como me preparar para esse futuro do trabalho? As palavras-chave são: qualificação e requalificação. O relatório da WEF revela que quase 50% dos profissionais que permanecerem em suas funções nos próximos cinco anos precisarão de requalificação. A maioria dos empregadores reconhece o valor de requalificar sua força de trabalho – 66% esperam retorno desse investimento dentro de um ano e também preveem realocar 46% dos trabalhadores em sua própria organização.

Desenvolvimento contínuo

Vera Lúcia – Gerente geral de desenvolvimento humano e organizacional da Samarco
Foto: Marcus Desimoni / NITRO

Segundo Vera Lúcia, gerente geral de desenvolvimento humano e organizacional da Samarco, sistemas escolares formais, do ensino básico à pós-graduação, já não são suficientes para preparar as pessoas, mantê-las atualizadas, competitivas e produtivas. Então, a educação continuada ao longo da vida, ou lifelong learning, a partir de diversas experiências de aprendizagem (formais e informais), deve ser o caminho para essa qualificação ou requalificação. Aprender a aprender, reaprender e desaprender são competências essenciais para o século XXI.

“O aprendizado pode e deve ocorrer fora da sala de aula, realizado on the job, com experimentação no próprio trabalho, assumindo responsabilidades crescentes, e por meio da troca de experiências com outros colegas e áreas, de forma colaborativa, estando aberto a feedback, mentoria e coaching. Ações de aprimoramento no ambiente virtual também se tornam boas possibilidades de interação e troca e trazem resultados tão satisfatórios quanto as ações presenciais. Outra boa opção de desenvolvimento é o que chamamos de aprendizagem personalizada, quando a pessoa usa de sua autonomia para escolher o que considera como conteúdo mais relevante para si mesma, assim como a forma de repasse: podcasts, vídeos, textos, TEDS, webinars. E uma dica, que considero de ouro, é praticar, levar para a realidade do trabalho, compartilhando inclusive, todo o conteúdo apreendido”, explica.

Vera pondera ainda que, independente do negócio ou setor, o mercado seguirá num contexto volátil, incerto, complexo e ambíguo, e passará por intensa e profunda transformação, como por exemplo, a GIG Economy, o maior uso da inteligência artificial, a flexibilização do trabalho e a presença de colaboradores mais diversos, impelindo as pessoas a repensarem suas formas de realizar suas tarefas e se relacionar. Reskilling, Upskilling e Lifelong Learning são termos que estarão presentes nesta realidade, desafiando as áreas de desenvolvimento humano e, principalmente, os profissionais, sejam jovens ou executivos seniores, e serão condições essenciais para sobrevivência no futuro do trabalho.”

Para Daniel Rezende, diretor da Dasein, com o avanço da tecnologia, há chances de que profissões desapareçam ou diminuam muito no futuro, principalmente as que são muito manuais, repetitivas e que não envolvem interação, criatividade e solução de problemas. Por isso, ele recomenda aos profissionais buscarem renovar-se, ampliar seus conhecimentos, obter novos aprendizados e serem bons naquilo que fazem e que escolheram como profissão. “A tecnologia influencia o consumo e o comportamento das pessoas e, portanto, as atividades ou profissões que exigem criatividade e contato social sempre existirão, mesmo com o avanço tecnológico.”

Rafael Isaac – Responsável pela condução da área de novos negócios da CEI Energética
Fotografia: Comunicação CEI Energética

Na visão do executivo Rafael Isaac, responsável pela condução da área de novos negócios da CEI Energética, este novo cenário do mercado de trabalho exigirá mais velocidade dos jovens para desenvolver suas carreiras, mas, por outro lado, trará uma gama muito ampla de oportunidades para serem exploradas, como novos mercados, produtos, serviços especializados e uma série de demandas. Mas, o ponto que considera mais relevante são as adaptações nas relações interpessoais. “Todo este turbilhão de mudanças exigirá também alterações na maneira de se conectar e comunicar com as pessoas, seja no contato físico ou virtual. Ter um propósito genuíno, acompanhado de uma boa dose de zelo com o próximo, serão fundamentais para o desenvolvimento pleno de uma carreira de longo prazo”, acrescenta.

Esforços mútuos

Receber o treinamento adequado e adquirir a agilidade necessária no ambiente de trabalho são desafios cruciais para profissionais do mundo todo. Em entrevista à emissora CNBC, a diretora geral do Fórum Econômico Mundial, Saadia Zahidi afirma que para garantir que todos tenham os tipos certos de habilidades para o futuro será necessário uma união de esforços por parte das empresas, do governo e dos próprios trabalhadores.

Vera Lúcia, da Samarco, corrobora com a colocação de Zahidi. “Aprendizagem e desenvolvimento são investimentos estratégicos para as empresas e lideranças, uma vez que a capacidade das equipes de compreender e ser protagonistas neste contexto é um fator importante para a competitividade e, também, atratividade das empresas. É fundamental que as organizações analisem e compreendam os cenários para identificar conhecimentos, competências e habilidades emergentes e que serão necessárias para sustentar a estratégia. O resultado desse exame deve subsidiar o mapeamento de posições e conhecimentos críticos e, ao mesmo tempo, a serem traduzidos em planos de desenvolvimento corporativo. Além disso, caberá à instituição, por meio das áreas de RH e lideranças, criar uma cultura e um ambiente colaborativo, favorecendo o estabelecimento de redes e proporcionando a melhor experiência no processo para os indivíduos.”

Daniel Rezende – Diretor da Dasein
Fotografia: Arquivo pessoal

O diretor da Dasein, Daniel Rezende, concorda que cabe às empresas orientar e preparar seus colaboradores para as mudanças e inovações, fornecer o ambiente adequado para que as tecnologias floresçam e ter em mente que investir no fator humano continuará a ser o fator-chave para prosperar. Por outro lado, faz um alerta: “cada indivíduo deve buscar seu autodesenvolvimento e mais do que dominar o mundo digital, precisa acompanhar a velocidade das mudanças e adotar novos comportamentos e formas de pensar e atuar.”

Menos pressão, mais segurança psicológica

Pensamento crítico e analítico, aprendizagem ativa e capacidade de resolver problemas complexos são consideradas competências fundamentais em um candidato por parte das grandes companhias nos próximos cinco anos, revela o relatório “The Future of Jobs”. Contudo, considerando a disrupção causada pela pandemia em nossas rotinas, as empresas olharão também para habilidades em autogestão, tolerância ao estresse, a resiliência, a flexibilidade e a inteligência emocional. Nas profissões em que saber lidar com pessoas de todos os backgrounds é um requisito básico, o relatório evidencia a importância contínua da interação humana na nova economia.

Algumas organizações, segundo Adriana Prates, CEO da Dasein, já estão bem atentas a essas mudanças. Ela cita, por exemplo, a Ambev – que acabou de criar sua diretoria de saúde mental e o Google que, após uma década de pesquisas, concluiu que o ingrediente secreto das equipes de alta performance não é a pressão por resultados, mas a segurança psicológica. “Isso demonstra um entendimento de que é muito mais estratégico considerar as pessoas em sua totalidade. É um passo concreto no sentido de que há um entendimento de que a inovação passa pela gestão de pessoas.”

Adriana Prates – CEO da Dasein e conselheira AESC para as Américas
Fotografia: Arquivo Pessoal

Adriana sublinha que é indiscutível que indivíduos que trabalham em condições mais humanizadas, respeitando pausas e num ritmo de trabalho compatível com a realidade, são mais perspicazes, colaborativos e conseguem se equilibrar trazendo a energia positiva do bem-estar que tem nos lares para dentro das empresas. “Não há mais espaço para a indústria do radicalismo. Os profissionais se tornaram questionadores, cientes do seu valor e, quando buscam uma recolocação, estudam profundamente a cultura organizacional, para dessa forma irem para empresas que estejam dando passos evolutivos em relação a gestão de pessoas, suas razões, suas emoções e aspirações de carreira.”

Valores e atributos como colaboração, inspiração, compaixão, fazer coletivo, acolhimento, solidariedade, cuidado com o outro, capacidade de ouvir, vulnerabilidade, intuição e empatia são considerados pela gerente Vera Lúcia. Ela acrescenta igualmente a comunicação e a inteligência emocional, no sentido de saber pensar, sentir e agir de forma consciente e em equilíbrio com emoções e sentimentos. “Por fim, incluiria também a positividade como capacidade de usar táticas e estratégias para superar contratempos e alcançar metas. Mais do que nunca, esses valores e competências representam um capital estratégico para as pessoas e empresas. Portanto, precisam ser cultivados e estimulados”, finaliza.

Renovação em pauta

Adriana Prates, CEO da Dasein, contribui com mais algumas dicas para quem deseja ser relevante neste novo cenário. Acompanhe:

  1. Tenha uma agenda de educação continuada;
  2. Participe de fóruns da área em que atua e de outros segmentos muitas vezes sem relação direta com sua formação;
  3. Busque o equilíbrio emocional, familiar e tenha uma vida estruturada;
  4. Cuide da saúde. Só quem ama a si mesmo é capaz de amar o colega de trabalho e dessa forma contribuir para que as relações fluam;
  5. Defina o que é sucesso para você. Não inspire em definições de sucesso alheias, que na maioria das vezes só traz frustração e descontentamento;
  6. Tenha uma rede de apoio. Amigos, familiares, psicoterapeutas, pets e outros que forem necessários.

“Enfim, a mensagem que quero passar é que a autenticidade seja percebida como valor estratégico do ser humano. Que cada um possa compreender como contribuir para uma sociedade mais justa e humanitária. De que é necessário repensar a forma como se vive atualmente e usar o hoje para fazer as mudanças necessárias. Amanhã sempre é tarde demais.”

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