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Ensinamentos dos esportes para a carreira executiva

“Com o tempo nos vemos alcançando muito mais do que imaginávamos ser capazes”

 

Um bate-papo com Felipe Fagundes, gerente sênior de RH da AngloGold

 

Há os que vêm competição e superação do próprio limite. Outros que enxergam arte. Há os apaixonados, que se emocionam profundamente. Existe também quem conecte todos esses sentimentos, fazendo do esporte uma porta para possibilidades. Esse é o caso de Felipe Fagundes, que soma às responsabilidades da gerência de RH da Anglogold Ashanti, os desafios e benefícios do triathlon, uma das modalidades esportivas que mais requerem força e concentração dos atletas.

“Às vezes olhamos para algumas coisas e pensamos que estão muito distantes de nós, e é muito gratificante vê-las tornando realidade como resposta aos esforços que fazemos a partir do momento que decidimos alcançá-las, de forma genuína. Assisti a uma prova do IronMan em Florianópolis em 2012 e pensei que nadar 3,9km, pedalar 180km e correr 42km era algo impossível, de outro mundo”, relata o executivo. Um ano depois ele estava em Florianópolis, largando às 7h, como um dos 2 mil participantes do IronMan Brasil.

Em 2002, quando Fagundes optou por fazer Engenharia de Produção, ele entendia que trabalhar no RH seria algo totalmente distante ou até improvável. “Naquela ocasião a diferença é que eu não havia estabelecido ainda que eu gostaria de ser um executivo de gestão de pessoas. Em 2013 entrei na Anglogold Ashanti na área financeira e em 2014 a empresa me ofereceu a oportunidade de me tornar o gestor da disciplina de pessoas de uma de nossas operações. A organização me deu a oportunidade e me permitiu despertar o amor por fazer o que eu faço hoje e ter certeza de que é por onde eu pretendo continuar trilhando.”

felipe olha para frente e sorri

Felipe Fagundes soma às responsabilidades da gerência de RH da Anglogold, os desafios e benefícios do triathlon.

A paixão pelo triathlon

A história de Felipe com o esporte vem da infância. “Pratico natação desde os 6 anos de idade. Então tudo que se relaciona a esportes em geral me interessa”. E esse interesse o levou a acompanhar amigos que participariam do IronMan, em 2009, para assisti-los. “A prova se inicia às 7h e os tempos oficiais são computados até as 23:59h. Após acompanhá-los, tendo concluído por volta das 17h, eu fui para o hotel. Mais tarde, em torno das 23h, eu quis retornar ao local da prova, próximo à área da linha de chegada, para ver os últimos atletas. Para minha surpresa, havia uma atleta correndo, faltando quase 2km para a chegada. Eu decidi acompanhá-la até a linha de chegada, uma novaiorquina de 69 anos, completando a prova dentro do tempo oficial. Ela variava o ritmo, parecia que iria cair por várias vezes, não corria em linha reta, parecia não ter mais energia. Mas só parecia, pois ao enxergar a linha de chegada ela foi reativada pelas luzes e sons, um frenesi, e voltou a correr muito forte faltando poucos metros. Cruzou a linha de chegada e foi abraçada pelos que a esperavam. Nesse exato minuto o triathlon virou uma paixão para mim.”

“Experimentar a nossa pequenez e a nossa grandeza”

Fagundes conta que os benefícios mais conhecidos do triathlon são o planejamento e a disciplina, por ser necessário incorporar a uma rotina pessoal e profissional uma agenda de preparação bastante intensa (até mesmo mais que a própria prova), que varia de 20 a 25 horas semanais. Mas para ele, os ganhos dos esportes de alta performance vão bem além. “Eles nos levam a experimentar a nossa pequenez e nossa grandeza em intensidades e frequências altíssimas”, diz. “Por diversas vezes ao longo dos treinos nos deparamos com situações em que pensamos que não vamos conseguir (nunca) e com o tempo nos vemos alcançando muito mais do que imaginávamos ser capazes. E há também situações em que nos sentimos extremamente bem preparados, acordamos bem, super dispostos para o treino, e um detalhe acaba nos desestruturando por completo a ponto de não fazermos o mínimo. Aprendemos nesses ciclos a respeitarmos física e mentalmente o nosso corpo e os sinais que ele nos dá a todo o momento”, sublinha.

De acordo com ele, o triathlon também é fonte ensinamentos para a vida, seja de forma mais direta, como planejamento, disciplina e organização, ou de maneira indireta. “Na perspectiva mais macro há um planejamento de treinos ao longo dos meses para que em cada fase possamos focar um tipo de preparo diferente, voltado para o desenvolvimento de alguma habilidade necessária para a prova. Esse planejamento parte de um objetivo, uma meta (por exemplo, o tempo que se pretende alcançar na prova), e a partir disso todo o ciclo converge para atingi-lo, modulando o tipo, frequência e intensidade dos treinos. Do macro para o micro chegamos a desenvolver o planejamento e disciplina para o treino do mês, da semana e do dia. Conciliar agendas pessoais, de trabalho, viagens, com a agenda de treinos trouxe de fato uma necessidade de organização acima do nível normal que eu possuía no meu dia a dia.

Quanto aos ensinamentos indiretos, ele ressalta os de relacionamento. “Ao embarcar nessa experiência, conheci muitas pessoas, com histórias de superação simplesmente incríveis, mostrando que a intensidade e o sacrifício da jornada pela qual decidi passar não era maior ou menor do que o de outras pessoas que também experimentaram o IronMan, mas apenas diferente. Ao me submeter ao rigor dessa mesma jornada, as minhas fragilidades se tornaram mais expostas, e o meu olhar para as pessoas que me acompanharam durante toda a trajetória reforçou muito o quanto temos pessoas próximas de nós para nos ajudar a alcançar nossos sonhos. Aproveito para falar à Ana, meu amor e esposa, que a agradeço por existir, sempre e mais uma vez. E também à minha família e amigos que puderam participar junto desse desafio.”

Absorver mais e melhor as diferenças

Perguntado sobre os ganhos da interdisciplinaridade (experiência que estimula a criatividade e inovação) Felipe Fagundes vai além: “sem dúvidas nos tornamos pessoas mais criativas e inovadoras com a interdiciplinaridade, mas também por meio da diversidade intradisciplinar. A questão não é simplesmente conviver com a diferença, mas como convivemos com ela.” Segundo ele, o livro “Sociedade da Transparência” traz uma provocação bem interessante: “Hoje, por causa da onda crescente e até massificante de informações, está se encolhendo cada vez mais a capacidade superior de juízo. Muitas vezes um minus de informações ocasiona um plus”, diz o trecho do livro. “O que eu quero dizer é que a questão não é ‘quanto mais eu convivo ou transito com pessoas diferentes’, mas quanto tempo eu me dedico para refletir sobre elas, e como estabeleço uma consciência livre de preconceito para absorver mais e melhor o que as diferenças nos apresentam.”

Um “empurrão” que pode fazer a diferença

Pensando nos profissionais que passam o dia todo em escritórios e que têm vontade de explorar novos desafios, mas precisam daquele “empurrão”, Felipe Fagundes faz a seguinte sugestão: “pare para refletir sobre como a rotina está indo, o que está bom e o que não está. Nessa reflexão conseguimos entender como quebrar ciclos viciosos aos quais estamos submetidos, sem mesmo percebê-los. Compartilhando uma experiência minha, identifiquei que o uso de redes sociais a noite estava me levando a dormir mais tarde e no dia seguinte não estava disposto a acordar mais cedo para praticar uma atividade física. A falta de atividade física combinada com a rotina intensa me trazia ansiedade e me levava consequentemente a me alimentar mal. A quebra do ciclo foi estabelecer que só utilizaria redes sociais até um determinado horário, e isso fez toda a diferença para ter uma rotina mais balanceada de saúde e trabalho.”

Essa mesma reflexão, ele conta, pode levar outras pessoas a tomarem decisões diferentes, na medida que ela promove maior autoconhecimento e permite que cada um decida e fique feliz com a decisão sobre como quer levar a vida no dia a dia. O grande empurrão, segundo ele, é deixar de ser vítima da rotina para ser o condutor dela. “Obviamente sem a expectativa de querer controlar tudo e saber que as interferências e mudanças estarão sempre presentes para lidarmos com elas. E que em cada fase da vida as prioridades podem e devem normalmente mudar.”

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