Você está preparado para o mundo Vuca?

Em uma época marcada por transições impostas pela tecnologia e pelas novas relações (ou não-relações) entre sociedade e estados, falar dos riscos gerados pelas constantes mudanças pode soar clichê. Mas apesar do tema ser onipresente, ainda são muitos os que desejam lidar, de forma lúcida, com tal cenário de metamorfose. Cenário que ganhou, inclusive, um nome: Vuca, sigla que reúne importantes impasses contemporâneas como volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade (do inglês, volatility, uncertainty, complexity e ambiguity).

O termo não é novo. Originado na Escola de Guerra do Exército Americano na década de 1990, foi usado por militares que viram o seu modelo hierarquizado não mais funcionar diante de uma forma de organização terrorista em que o poder estava disperso e as ações eram totalmente imprevisíveis. Após os ataques de 11 de setembro, em 2001, o termo se propagou pelo mundo e foi absorvido por algumas organizações para se referir ao ambiente caótico, turbulento e de rápidas mudanças que se tornou “o novo normal”. É o que explicam as especialistas em desenvolvimento humano, Magda Costa, Silvia Roscoe, Stefania Vargas e Walkiria Monteiro.

Recentemente as profissionais foram desafiadas pelo Grupo de Estudos Projetarh a investigarem a “realidade Vuca” e a pensarem como os profissionais podem identificar e alavancar suas forças diante desses impasses. Segundo elas, um estudo da Standard & Poors sobre o encurtamento da longevidade das empresas ajuda a chamar atenção para o assunto. A pesquisa identificou que a média de vida das empresas do índice S&P 500 (uma importante referência para aplicação na bolsa nos Estados Unidos) foi de 60 anos, na década de 1960, para 15 a 20 anos hoje. “Isso afeta fortemente o cotidiano das pessoas e organizações. O nível de pressão para inovar, atualizar e se diferenciar num mercado em constantes mudanças é altíssimo. Se não ajudarmos as pessoas e organizações a se prepararem para esse ambiente, vemos muito adoecimento”, ressaltam.

Trocar as fórmulas massificadas e respostas fáceis por questionamentos pode ser um primeiro passo para ter uma compreensão melhor do ambiente Vuca e saber como lidar com os desafios impostos por essa realidade. “Ter humildade para reconhecer que não estamos prontos, para saber que não conseguimos sozinhos e para buscar ajuda talvez sejam as atitudes mais importantes”, ressaltam as especialistas. Outro comportamento muito importante, segundo elas, é a proatividade “para assumir a responsabilidade de atuar sobre o que está sob nosso controle e melhorar, independentemente de nossa posição”.

De acordo com as especialistas, o compartilhamento de teorias e práticas surgem para a nossa reflexão em um processo de ressignificação contínuo. “Como um movimento em espiral, ao longo da história, voltamos a situações semelhantes às vividas anteriormente, contudo em um nível de complexidade superior. Isso exige grande flexibilidade e adaptabilidade frente a cenários altamente dinâmicos”.

Após muitas discussões e reflexões, as consultoras levantaram atitudes que podem ajudar o profissional a lidar melhor com a realidade Vuca.

Capacitação lúdica de educadores

Pais e profissionais que trabalham em escolas e empresas, a fim de desenvolver o “pensar criativo” das pessoas, ajudando-as a resgatar a “criança” que é capaz de se maravilhar e buscar alternativas diante do novo.

Ferramentas fora do padrão

Para ser eficaz, o desenvolvimento de pessoas precisa sair do lugar comum. Usar a arte, em suas diversas manifestações, trabalhos manuais, experimentos sensoriais e não-verbais, jogos, gamificação, quebra-cabeças, enigmas, prática de “chefe oculto”, entre outros, são indicados.

Atividades de meditação

A prática pode ajudar as pessoas a desenvolverem o córtex pré-frontal e, consequentemente, ter mais facilidade de planejar, lidar com emoções e buscar soluções.

Práticas de análise e solução de problemas

Podem ser voltadas para questões sociais ou não. A ideia é mobilizar as pessoas e desenvolver a empatia e a habilidade de solucionar problemas em grupo.

Outro ponto importante ressaltado pelas consultoras, é que não só os líderes precisam ser desenvolvidos. Elas explicam que tradicionalmente as empresas investem muito no desenvolvimento de pessoas em função de liderança pelo papel estratégico que exercem, mas hoje as organizações mais ágeis são aquelas que têm pessoas em diferentes posições atuando de forma sistêmica e antecipando-se ao mercado.

Entenda os impasses do mundo Vuca e maneiras de lidar com essa realidade

Volatilidade

É a natureza intensa, abrangente e dinâmica das mudanças.

Visão

Uma forma de lidar com a volatilidade é “buscar sentido” no que fazemos através do estabelecimento de uma visão clara de onde queremos ir. Uma boa comparação é da pessoa que está em uma estrada que vê que a ponte a sua frente caiu e a que está logo abaixo à sua vista não é forte o suficiente para aguentar o seu peso. Se a pessoa não tem visão, ela se desespera. Se ela tem uma visão mais ampla do ambiente em que está, ela sabe que, se voltar um pouco, pode pegar outro caminho que também levará a seu objetivo. A visão nos dá um norte a nos orientar diante de tantas mudanças.

Incerteza

Refere-se à falta de previsibilidade das questões e eventos dificultando utilizar dados e experiências passadas como elementos para prever o futuro.

Entendimento

Entender é a palavra-chave para lidar com a incerteza. Entender que a incerteza “é a nova norma”. Entender informações demográficas, tendências, sentimentos, comportamentos, contextos nos permite buscar alternativas de ação.

Complexidade

É a multiplicidade de causas difíceis de compreender que interagem de forma não linear criando situações aparentemente caóticas.

Clareza

Em meio ao aparente caos, é importante buscar clareza para identificar padrões internos e externos que nos ajudem a levantar possíveis impactos e riscos de diferentes soluções.

Ambiguidade

Refere-se à interpretação de uma dada situação de forma diversificada, podendo significar ao mesmo tempo oportunidade e ameaça.

Agilidade

Para lidar com a ambiguidade, precisamos de agilidade para experimentar e comunicar soluções testadas em pequena escala que possam ser aplicadas em múltiplos contextos.

*A reportagem na íntegra também está disponível em: http://bit.ly/2rCR8CU

Conteúdos

Relacionados

Inspire-se com Cris Guerra

Inspire-se com Cris Guerra

“A gente precisa ter em mente que o verdadeiro...
How can art influence your perception of another?

How can art influence your perception of another?

What does art teach us for our professional life?...
Não encontrou?

Pesquisar...

Receba novidades

Newsletter

Para acompanhar nossas novidades, insights e outros formatos de conteúdo, cadastre-se e siga conosco. Será um prazer ter a sua companhia nessa jornada.