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Qual o futuro da educação executiva?

Educação executiva: futuro incerto requer aprendizado para vida toda

 

Salas de aulas, mestres no centro e alunos ao redor, lições na lousa, livros nas mãos, resenhas do conteúdo aprendido. Há tempos símbolos tão naturais como esses foram colocados em perspectiva. Longe de dizer que perderam representatividade ou utilidade, têm sim e muita. Mas nunca foram tão questionados como via de aprendizagem. Parte de uma era marcada por mudanças velozes, o ensino e tantos outros modelos solidificados (incluindo comportamentos, negócios, e, claro, escolas) são, hoje, uma verdadeira “metamorfose ambulante”, como bem diz a música. Ponto para a educação. Afinal, questionar modelos não deixa de ser uma boa forma de aprendizado.

Em meio a esse turbilhão de mudanças, a educação executiva também ajusta sua bússola. De um lado a necessidade de preparar executivos para o fato de que eles terão que aprender continuamente – no lugar de programas de ensino com duração definida, requer-se o “lifelong learning”. Do outro lado, atender as empresas que demandam cursos práticos, de rápida duração, voltados a exigências específicas e, não raro, urgentes. O desafio está na mesa: como aliar o conceito de aprendizado contínuo, importante para futuros incertos, com um conteúdo objetivo, para gerar resultados imediatos?

Em realidades complexas, respostas são escassas. O que nos resta é questionar, experimentar, desaprender e reaprender a aprender. Para o consultor executivo e professor da FGV Eaesp, Luiz Carlos Cabrera, o desafio de se manter atualizado e aprender é enorme. “A rapidez das transformações está tornando os livros sobre as novidades obsoletos. Lembro-me sempre de um professor que tive nos USA, o Herbert Simon, que no início da década de 70 dizia: ‘A abundância de informações gera a desatenção’”.

Adriana Prates, mentora de executivos e CEO da Dasein.

Estar atualizado e escolher o que é relevante são enormes desafios, ressalta o professor. “Por outro lado, não se aprende somente em cursos, sejam eles presenciais ou a distância. O ato de aprender é diário. Aprende-se trabalhando, com uma conversa com um cliente, com uma conversa com seus superior hierárquico e em casa, educando os filhos. O sentimento que precisa prevalecer é o da curiosidade. Por isso quando seu filho chegar da escola nunca pergunte: ‘O que você aprendeu hoje?’ Pergunte: ‘O que você aprendeu hoje que você gostaria de me ensinar?’”.

De acordo com Adriana Prates, CEO da Dasein, a forma de aprendizado dos mais jovens tem muito a dizer sobre as transformações no ensino. “Precisamos levar em consideração que os profissionais que iniciaram a carreira nos últimos 10 anos (os nativos digitais), trazem para a empresa um modelo de aprendizagem que assimilaram desde criança. São autodidatas, têm um aprendizado livre, no tempo deles, acompanhando tutorias, experimentando via tentativa e erro, enfim, ‘fuçando tudo’ com avidez e autonomia. Tentar enquadrar essas pessoas nos modelos tradicionais de ensino pode ceifar delas a leveza, a motivação e a curiosidade que as move na ampliação do conhecimento.”

Ela sublinha que o estímulo à diversidade de opiniões, de experiências e de habilidades é outro aspecto decisivo para impulsionar o ambiente de aprendizado. “Finalmente temos visto um movimento mais elevado de iniciativas concretas, por parte das empresas, que têm contribuído para que a mente das pessoas se abra para um mundo tão rico quando diverso, complexo e desafiador”. Esse movimento de abertura e aprendizado com o diferente tem ocorrido, sobretudo, porque muitas empresas e modelos de negócios altamente vitoriosos outrora fracassaram. Quando empresas e pessoas fracassam, elas começam a se questionar. Desse questionamento, surge a abertura para uma escuta mais ampla, ativa, experimental e diversa. “É importante aprender com as experiências do passado, mas acima de tudo, ter coragem para ousar e criar novas propostas de atuação.”

“Tentar enquadrar jovens profissionais em modelos tradicionais de ensino pode ceifar deles a leveza, a motivação e a curiosidade que os move na ampliação do conhecimento.” – Adriana Prates

Já o CEO da HSM e co-CEO da SingularityU Brasil, Reynaldo Gama, chama atenção para um dos grandes desafios de hoje: desaprender. “Antes, uma pessoa com um curso universitário já tinha todo o conhecimento necessário para a sua profissão. Entretanto, isto não é mais uma realidade. Um diploma universitário continua sendo de grande valor e uma porta de entrada em grandes empresas, mas, hoje em dia é a educação continuada, ou seja, o ‘lifelong learning’, que vai permitir gerar nos empregadores a sensação de confiabilidade e capacitação que tanto procuram em seus colaboradores. É um aprendizado contínuo, flexível, abrangente e totalmente disponível para o profissional que busca estar atualizado e inserido no mundo corporativo de modo efetivo.”

Digital, hibrido, customizado: existe formato ideal?

Reynaldo Gama, CEO da HSM e co-CEO da SingularityU Brasil.

A estagnação do mercado global de MBA soou como um alerta para muitas escolas de negócios e, claro, para executivos que buscam desenvolvimento. Não é de hoje que os programas tradicionais em salas de aula estão perdendo espaço para outros mais dinâmicos como o digital, híbrido, customizado. Segundo Gama, à frente da SingularityU Brasil, uma das iniciativas de educação executiva mais inovadoras do mundo, o ensino online ou híbrido dá mais autonomia aos estudantes, fazendo com que contribua para a construção do próprio conhecimento, o que desperta nele o senso de responsabilidade. “O nosso público, por exemplo, é formado, em sua maioria, por executivos com inúmeros compromissos profissionais. Dessa forma, a pessoa tem flexibilidade para ajustar a sua agenda na hora de cursar as aulas online e estar em pontuais encontros presenciais.”

Diante de um volume absurdo de informações, como cativar a atenção do aluno? Para o CEO, a curadoria de conteúdo deve ser um dos pilares principais. “Filtrar, entender o que é relevante, fazer uma curadoria e traduzir em formatos interessantes, que se conectam e fazem sentido, com storytelling. Entre esses formatos, há inúmeras opções disponíveis de vídeos, imagens, podcasts, entre outras milhares de maneiras de gerar conhecimento e chamar atenção dos alunos. É importante ter opções interessantes que saiam dos padrões e desperte interesse nos executivos. Ter professores renomados e de referência em sua área de atuação também é importante para os alunos se envolverem com o conteúdo. Além de tudo, criar canais de comunicação para demonstrar disponibilidade e oferecer sempre a melhor experiência possível.”

“O ‘lifelong learning’ vai permitir gerar nos empregadores a sensação de confiabilidade e capacitação que tanto procuram em seus colaboradores.” – Reynaldo Gama

Para Luiz Carlos Cabrera, a educação executiva não escapará de ter que ser oferecida em formatos digitais e provavelmente o hibrido será apenas parte da formação. “A enorme vantagem dos cursos online reside no fato dele poder ser oferecido a pessoas que não estão nos grandes centros e àqueles que têm uma agenda complicada. Lembrando que complicação de agenda não é apenas a parte das tarefas, mas o deslocamento nas grandes e médias cidades, o que responde por quase 25% do tempo útil. O grande beneficio dos cursos digitais é a acessibilidade.” Como formato mais aderente, neste momento, o professor destaca o híbrido, “pois faz parte da pedagogia de preparação do aluno digital.”

Mas os cursos a distância, pondera, devem ter uma excelente “proposta de valor”. Não basta uma boa curadoria de conteúdo, metodologia e a didática. “Eles devem aproveitar o seu formato para oferecer desafios de casos, com depoimentos de personagens, filmes, discussões de grupo (a tecnologia permite tudo isso). O que não pode acontecer é pegar um curso presencial e transformá-lo em digital. Não vai dar certo. É outra pedagogia, é outro formato e é outra dinâmica.”

“O ato de aprender é diário. Aprende-se trabalhando, com uma conversa com um cliente, com uma conversa com seu superior hierárquico e em casa, educando os filhos. O sentimento que precisa prevalecer é o da curiosidade.” – Luiz Carlos Cabrera

Navegando nesses mares também estão as empresas de consultorias, como é o caso da Falconi que lançou, no ano passado, uma plataforma de cursos online. Segundo Adriana Prates, as consultorias têm ampliado a oferta de atendimento a distância e o modelo híbrido se mostra mais efetivo para preparar os executivos para uma realidade incerta, desafiadora e ambígua. Outra vantagem dos cursos digitais, segundo ela, é a ampliação de oportunidades. “O online chegou para democratizar o saber. É claro que qualquer estratégia de transferência de conhecimento e desenvolvimento de pessoas cumprirá seu objetivo após a realização de um diagnostico robusto de necessidades gerais, específicas, coletivas e individuais, além da definição de trilhas de conhecimentos. Isso ajuda a assegurar que o conhecimento novo está em ação, ampliando a capacidade produtiva e operacional de uma empresa.”

Como fortalecer o networking no ensino a distância?

Luiz Carlos Cabrera, consultor e professor da FGV Eaesp.

Se há uma vantagem nos programas tradicionais de educação executiva é que a sala de aula transforma-se também em um espaço impulsionador de relacionamentos. Para o professor Luiz Carlos Cabrera, o networking é um dos entraves do progresso do ensino a distância. “Existe um velho conceito de que qualquer curso feito após a graduação, (estou usando esta classificação em função do cipoal de nomes de cursos que existem por aí) era valiado da seguinte maneira: 1/3 a escola; 1/3 o aluno e 1/3 o networking. Essa avaliação foi sempre muito usada e a razão é que todas as estatísticas nacionais e internacionais mostram que 65% das mudanças de emprego ocorrem através do networking.”

A solução, para o professor, é que se trabalhe o reforço do networking, como se faz nas redes sociais, mas com um pouco mais de organização e lógica. “Tenho acompanhado de perto o Curso Internacional da Eaesp-FGV, denominado OneMBA. Neste curso os alunos obrigatoriamente se estruturam em equipes multinacionais, com regras de que não podem participar mais de um membro de cada país. O curso é ministrado em quatro universidades pelo mundo e a estruturação dos networks funciona muito bem.”

Reynaldo Gama garante que o formato digital não exclui o networking. Ele afirma que muitas das ferramentas digitais são usadas para debates e aproximação, como os fóruns de discussão para os alunos se envolverem e se conhecerem. “Além disso, o uso de grupo de Whatsapp também facilita o networking, pois destes grupos são marcados muitos encontros presenciais e mais descontraídos. O formato híbrido, que junta o digital com o presencial também é uma importante fonte de networking.”

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