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Colunista Convidado: Ruy Dantas

2007 e 2020, o que esses anos têm em comum?

*Por Ruy Dantas

 

Ruy Dantas – presidente do Sin Group
Foto: Divulgação Sin Group

John Doerr, o lendário investidor de risco que financiou o Netscape, o Google e a Amazon, relata em um dos livros de Thomas Friedman, que nunca esqueceu o momento em que pôs os olhos no iPhone pela primeira vez, antes de Steve Jobs subir ao palco do Moscone Center, em San Francisco, em 9 de janeiro de 2007, para anunciar que a Apple havia reinventado o celular.

Jobs disse a Doerr que o aparelho tinha cinco rádios em diferentes faixas, uma capacidade X de processamento, uma memória RAM de tanto, além de não sei mais quantos gigabytes de memória flash. Doerr nunca tinha ouvido falar em tamanha capacidade de memória flash num dispositivo tão pequeno, também ficou espantado com o fato de o dispositivo não ter botão algum – softwares seriam usados para tudo.

Jamais ele poderia prever que aquele minúsculo equipamento seria, em pouco tempo, o melhor reprodutor de mídia do mundo, o melhor telefone do mundo e teria a melhor maneira de acessar a internet já inventada – tudo num dispositivo.

Em 2007, a capacidade de armazenamento disponível para computação explodiu graças ao surgimento de uma plataforma de software chamada Hadoop, que colocou o big data ao alcance de todos. O Facebook, gestado em 2006, abriu seu acesso global a todos que tivessem pelo menos treze anos e um endereço válido de e-mail, e uma empresa de microblogs chamada Twitter foi desmembrada como uma plataforma própria e começou a se expandir globalmente.

O Google, que no final de 2006 havia comprado o YouTube, lançou o Android, uma plataforma de padrões abertos que acabaria ajudando os smartphones a se expandirem globalmente, concorrendo com o iOS da Apple.

Ainda em 2007, a Amazon lançou o Kindle, que, graças à tecnologia da Qualcomm, permitiu que milhares de publicações e livros fossem baixados em qualquer lugar, ocasionando, anos depois, o fechamento de inúmeras livrarias físicas ao redor do planeta.

É pouco? O Airbnb e o computador cognitivo chamado Watson, da IBM, foram concebidos naquele ano.

O que 2007 tem em comum com 2020? 

Mudanças que o mundo levaria décadas para fazer e que tivemos que implantar à força em questão de meses. 

Havia uma visão entre especialistas de que faltava um símbolo para o fim do século 20, época altamente marcada pela tecnologia. E esse marco está sendo a pandemia do coronavírus, segundo a historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz, professora da Universidade de São Paulo e de Princeton, nos EUA, em entrevista que li esses dias.

“Alguns historiadores já diziam que o longo século 19 só terminou depois da Primeira Guerra Mundial [1914-1918]. Nós usamos o marcador de tempo: virou o século, tudo mudou. Mas não funciona assim, a experiência humana é que constrói o tempo. Eles têm razão: o longo século 19 terminou com a Primeira Guerra, com mortes, com a experiência do luto, mas também com o que significou a capacidade destrutiva. Acho que essa nossa pandemia marca o final do século 20, que foi a Era da Tecnologia. “Nós tivemos um grande desenvolvimento tecnológico, mas agora a pandemia mostra esses limites”, diz Lilia.

O professor Carlos Nepomuceno diz que o coronavírus funciona como um acelerador de futuros. A pandemia antecipa mudanças que já estavam em curso, como o trabalho remoto, a educação a distância, a busca por sustentabilidade e a cobrança, por parte da sociedade, pela Responsabilidade Social das empresas.

Durante a quarentena, fomos avançando em saltos qualitativos, pois adquirimos um novo conjunto de competências capazes de conectar, colaborar e criar, em todos os aspectos da vida, do comércio e do governo, soluções antes impensadas. Construímos hospitais em 30 dias, implantamos reuniões virtuais em 24 horas, aprendemos a fazer feira online, descobrimos o prazer de ler um livro digital. De súbito, aumentamos imensamente o número de coisas que podiam ser feitas no conforto de casa.

Vamos terminar 2020 totalmente reconfigurados. E essa reconfiguração está acontecendo mais rapidamente do que conseguimos nos transformar, assim como nossas lideranças, instituições, sociedades e escolhas. 

Existem anos especiais nas safras de vinho, assim como, na história, e os anos de 2007 e 2020 estão entre eles, apesar de toda dor e sofrimento causados à humanidade.

*Ruy Dantas  é um empresário brasileiro do ramo da comunicação. Jornalista e publicitário, desde 2006 preside o Sin Group, que reúne as empresas Sin Comunicação, Ima Gestão de Imagem, Jabuticaba Digital Ideas e Keek Inteligence e emprega cerca de 100 funcionários em João Pessoa, Maceió e Brasília.

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