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Carreira executiva: entrevista com Carolina Utimura, CEO da Eureca

“É preciso ter humildade e consciência para evoluir e trocar conhecimentos com pessoas que sabem muito mais.”

 

Considerada uma das mais admiradas vozes da nova geração de lideranças, Carolina Utimura está abrindo portas para jovens mulheres que sonham em ocupar cargos no alto escalão. Aos 25 anos ela conquistou o posto de CEO da Eureca, empresa de recrutamento com foco em trainees e estagiários. Com a sensibilidade e lucidez que lhe são peculiares, sempre faz questão de ressaltar a importância das oportunidades que teve ao longo da vida: um diferencial, sobretudo em uma sociedade marcada pela desigualdade, como o Brasil. Nesta entrevista, ela aborda sua história, pessoas que a inspiram e como investe em seu desenvolvimento.

Olhar para o topo e se reconhecer nas lideranças é um passo importante para inspirar jovens profissionais e contribuir com suas carreiras. Mas sabemos que são pouquíssimas as mulheres, sobretudo as jovens, no alto escalão das empresas. De que maneira o seu exemplo como CEO da Eureca pode contribuir para que diversidade deixe de ser uma intenção e se transforme em ações práticas nas empresas?

Algo que eu sempre saliento é que eu sou uma jovem muito privilegiada, tive muitas oportunidades de formação e incentivo, especialmente pela situação financeira da minha família, que não é a grande realidade brasileira. Visto isso, pude ter acesso a uma boa educação que me permitiu ter uma carreira acelerada.

Carolina Utimura é CEO da Eureca.

Tive a sorte de entrar em uma empresa com mente aberta para a diversidade, que via muito mais o meu potencial do que, necessariamente, a minha prontidão ou anos de currículo. Minhas lideranças na Eureca sempre me apoiaram muito, não somente com contínuos feedbacks e direcionamentos para crescer, mas também me expondo a desafios um pouco maiores do que eu estava, de fato, preparada e também com segurança psicológica para que eu tomasse riscos.

Também fomentando um espaço onde eu pudesse questionar o que já existia, incentivar que eu agisse nas soluções e sempre abertos a feedbacks. Sempre vi que minhas grandes falhas ou grandes acertos não taxavam muitas oportunidades seguintes, mas sempre num olhar de aprendizado e humildade.

Tive acesso a uma grande rede de mentores, profissionais com mais bagagem, que foram generosos em me doar tempo e aprendizados nos momentos desafiadores. O grande ponto que enxergo é que minhas lideranças tinham a genuína vontade de formar suas sucessões, com gente talentosa, de alto potencial e alinhada com nossos valores, muito mais do que estabelecer seus próprios status dentro da empresa e levo isso como uma inspiração diária.

De executiva de contas, a diretora comercial, COO e, desde 2020, CEO da Eureca. Quais foram as principais competências desenvolvidas ao longo desta caminhada e também os desafios que mais te ensinaram?

Cada um desses desafios me fizeram crescer muito, especialmente transitar entre áreas diferentes, me exigiam lidar com competências e times diversos, me fez desenvolver um maior conhecimento de como o nosso negócio funciona nas perspectivas de marketing, vendas, operações, pessoas, cultura etc. Acredito que esse foi o maior ativo para que hoje eu pudesse estar no meu papel atual.

Algumas das principais competências foram desenvolver um pensamento sistêmico na resolução de problemas e a capacidade de aprendizado contínuo, que envolve até desaprender o que funcionou até agora, mas que não nos levará para os próximos passos que queremos dar.

Entretanto, o grande lastro das minhas competências técnicas tem sido o meu desenvolvimento socioemocional. Poder reaprender que a vulnerabilidade é um sinal de força, que me ajuda a aceitar meus erros e pedir ajuda. Poder investir no meu autoconhecimento para atuar onde meus pontos fortes geram valor e fomentar estruturas para que meus pontos fracos não limitem o crescimento da Eureca. Além de um pilar constante de desenvolver coragem, para que eu tome as decisões certas mesmo que difíceis ou impopulares, coragem para empreender o nosso propósito mesmo com o cenário macro tão desafiador no combate das desigualdades.

Pensando em sua história de forma mais ampla, antes da Eureca, como você identificou suas habilidades de liderança e investiu em seu desenvolvimento para alcançar seus objetivos?

Com as oportunidades que tive, sempre pensei que precisaria multiplicar em experiências os quatro anos de graduação. Com isso, me joguei em muitos projetos paralelos, desde empreender uma agência de marketing digital com um amigo, grupos de pesquisa, projetos de extensão, estágios etc. Onde eu realmente me encontrei foi na Empresa Júnior, na qual realizamos projetos para micro e pequenos empreendedores da região. Ali pude liderar meu primeiro time com 20 anos, lidar com clientes, gerenciar projetos e aplicar o conhecimento da sala de aula na prática. Percebi que adorava resolver problemas com o time, compreender o que os ajudava a crescer, o que gerava valor nos nossos objetivos e que sempre havia muito o que aprender. E desde lá tem sido uma jornada de aprendizado contínuo, com humildade para ganhar consciência do que preciso evoluir e disciplina na rotina de estudo e troca de conhecimento com pessoas que sabem muito mais do que eu.

Você é uma inspiração para muitos profissionais. Na sua trajetória, você também se inspirou em outras pessoas? Se sim, quem são elas e por quê?

Com certeza, sigo inspirada e vendo a grande importância de olhar para pessoas na qual eu me sinto representada.

No mundo empresarial, tenho duas grandes referências: Luiza Trajano, Presidente do Conselho da Magazine Luiza, uma empreendedora que é a cara do Brasil, que vê sua responsabilidade além de gerar lucro para os acionistas, mas de também assumir seu papel na sociedade brasileira e inspirar uma geração de grandes executivos a fazerem o mesmo; Satya Nadella, CEO da Microsoft, que liderou uma grande transformação na empresa através da conexão dos seus produtos com um propósito maior e a evolução cultural pela inovação e valores fortes, com alta humildade e integridade.

Como você investe, hoje, em seu desenvolvimento como líder?

Essa é uma das minhas agendas de maior prioridade. Faço a combinação de estudos constantes em cima de até dois grandes objetivos por semestre equilibrado com uma busca de uma rotina de saúde física, mental e emocional.

Não tenho a visão de investir em uma grande formação de tempos em tempos, mas sim na constância de uma agenda de aprendizado autodirigido. Hoje tenho horários diários inegociáveis para o meu desenvolvimento, que divido entre um estudo nas competências que o negócio tem me exigido (nos mais diferentes formatos de aprendizagem), terapia, coaching, exercícios físicos, lazer e tempos para autorreflexão, essenciais para que eu possa analisar e registrar erros, acertos e experiências fomentando bons princípios. Mais do que ganhar uma competência específica, me preocupo em conseguir aplicá-la e registrar que adquiri esse novo conhecimento para uso futuro.

Também fomento uma rede de mentores nas mais diferentes áreas e competências, no qual os aciono para desafios específicos no qual não tenho bagagem ou até mesmo como um espaço de segurança que me ajuda a reduzir a autopressão. Por último e não menos importante, sempre busco por feedbacks dos meus times e clientes, é ali onde tenho a “prova de fogo” se estou conseguindo evoluir no que priorizei.

 

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